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Opinião

Nuvens escuras no horizonte da sa�de

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Multiplicam-se as polêmicas sobre as propostas de enfrentamento dos gravíssimos problemas que afetam a saúde do público brasileiro. As ideias recentemente apresentadas pelo governo federal foram duramente atacadas pelas entidades corporativas médicas e, depois de idas e vindas ? em verdade, muito mais recuos que avanços ? nas proposituras governamentais, não se enxerga luz no fim do túnel. Apesar dos meritórios argumentos levantados pelas entidades médicas, é patente o deslocamento do debate para fora do foco fundamental: a saúde pública. O centro das atenções passou a ser o interesse próprio da categoria médica e o corporativismo logrou êxito em atrair a discussão para seu ponto de vista exclusivo. Sem defesas à altura, soçobraram propostas dignas de nota como os novos modelos para o curso de Medicina, enquanto programas interessantes (mesmo com falhas) como o Mais Médicos perdem o prumo sob uma saraivada de ataques. Justa é a crítica sobre a pretendida exclusão dos médicos estrangeiros aos testes de revalidação de seus diplomas, afinal este é um critério lógico, válido internacionalmente. Mas profundamente injusta é a campanha em prol da ?reserva de mercado da doença? pela qual se veta a importação de serviços médicos em áreas nas quais os profissionais nativos recusam-se a trabalhar nas condições dadas. Tamanha é a gravidade do quadro assistencial à saúde das populações interioranas, e também nas periferias das grandes cidades, que é compreensível o esforço extraordinário em ampliar a prestação dos serviços médicos através de novos formatos contratuais, distintos do padrão convencional ? sistema, por sinal, eivado de vícios e problemas. Infelizmente, o governo federal e as entidades que possam representar as populações desassistidas estão demonstrando uma imensa desarticulação e uma monumental incapacidade na defesa de propostas próprias, ousadas e diretas, para a resolução dos problemas da desassistência médica em massa. Como dificilmente qualquer governo, mesmo com a economia em alta, conseguirá atender à totalidade das reivindicações do corporativismo de branco, o horizonte da saúde continuará escuro, turvo, para a maioria da população.

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