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Opinião

DA SCHOLA SALERNITANA � SCHOLA BRASiLIANA

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Até o século 6 a.C., as doenças eram consideradas um castigo dos deuses e os tratamentos eram à base de oferendas e sacrifícios. Foi Hipócrates quem deslocou o foco para uma relação entre duas pessoas. Desde então, os médicos precisam trabalhar com o corpo e os sentimentos das pessoas. Registrar suas queixas físicas e suas dores da alma. Nessa singular relação, convivem com milhares de pessoas e com a desafiadora peculiaridade de que nenhuma é igual à outra. Humanista, Hipócrates estudou a filosofia e as artes gregas. Deixou 72 livros que fomentaram o ensino médico antigo. Mil e quatrocentos anos depois, na Idade Média, em Salerno, cidade situada no Mezzogiorno italiano, surgiu a Schola Medica Salernitana, que tornou-se a mais importante fonte de conhecimento médico da época, para onde se dirigiam estudantes e pacientes de todo o mundo. Liberal na melhor acepção da palavra, a Schola Salerni manteve a tradição cultural greco-romana, combinando-a harmoniosamente com as ricas culturas árabe e judaica e acolhia estudantes de todos os credos. Esse encontro de diferentes culturas levou ao surgimento de um conhecimento médico sinteticamente avançado. Em uma época de trevas, onde as mulheres iam para a fogueira por heresia, lá elas estudavam e eram professoras. A primeira Escola de Medicina no Brasil chegou com a Corte portuguesa em 1808. Na Bahia, onde hoje está o Terreiro de Jesus. Lá, se estudava 4 anos e, antes de se formar, o aluno prestava exames ao ?físico-mor?. A Faculdade de Medicina de Alagoas iniciou suas aulas em 1951, como registrado na memorável obra Memórias, Discursos, Artigos e Rimas, do professor A.C. Simões, um dos fundadores. Essa semana, o governo federal recuou de mais uma proposta incoerente. Pressionado, manteve o curso médico em 6 anos. Afirma que todos os médicos deverão fazer residência médica, cujo primeiro ano será nas emergências e no PSF. Obviamente, todos os médicos deveriam fazer uma residência médica decente, que lhes proporcionasse condições para exercitar sua profissão e melhor ajudar os enfermos. Evidentemente, necessitaria ser onde os pacientes do SUS tenham prioridade. Precisa-se mais: principalmente estrutura adequada, professores capacitados e remunerados dignamente. Isso só virá através do diálogo com as entidades médicas, hoje expurgadas desse processo. Somando conhecimentos e sem autoritarismo, assim como existia na Idade Média, na Schola Salerni.

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