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Opinião

QUANDO OS OPOSTOS CONCORDAM

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Gratificante ver um formador de opinião com o Enio Lins, jornalista, escritor, chargista, político de esquerda, tudo de mancheia, reconhecer, em seu penúltimo dia de interinidade na coluna José Elias, a incapacidade do governo Dilma de compatibilizar programas sociais com desenvolvimento econômico. Ressalta opiniões de críticos como Luiz Nassif e Leonardo Boff, dentre outros, quando enxergam falhas no ?jeito Dilma de governar?. Diz ele não ter Dilma o jogo de cintura e a sabedoria política de Lula. Pede o estudo de saídas para a crise econômica, como prioridade. Didático, mostra que a ascensão social é sem volta: ?os que sobem, querem o seu; os que estão embaixo, exigem sua vaga no elevador; e a classe média, estática, sente-se asfixiada, incapaz de galgar outro patamar, sofrendo a explosão populacional em seus nichos?. Finaliza pedindo crescimento econômico junto à inclusão social, pois a habilidade política, sem eles, não funcionará. Coincidir é incidir no mesmo ponto ou ao mesmo tempo (Aurélio), ou, digo eu, no mesmo tema. Foi o que vi quando, após ler o texto do meu ?comunista preferido?, e, poucas horas depois, a entrevista do capitalista André Esteves, dono do Banco BTG Pactual, na Veja: a inabilidade de nossos governantes no trato de economia. Alerta que o clamor das ruas pedindo mais educação, saúde, melhor transporte público e menos corrupção, é, também, por um estado mais eficiente, pois arrecada 36% da renda dos cidadãos e não lhes dá o retorno devido daquilo que é reclamado. ?Existe excesso de estado e de ineficiência?. E o pior, como disse Enio, é que a cada dia há mais gente para reclamar dessa incapacidade. André preocupa-se com a incerteza sobre o rumo de nosso país. Ao mesmo tempo em que o governo acena para a iniciativa privada com pacotes para ferrovias, rodovias e aeroportos, tomando a direção certa, resolve, ele mesmo, definir as taxas de retorno do investimento. Acha um despropósito. Com isso, afugenta investidores que colocam o Brasil sob observação. Cita o caso de um cliente, grande fundo de pensão canadense, já investidor de bilhões por aqui, suspender, temporariamente, investimentos em infraestrutura até certificar-se do futuro. Diz ser fácil a solução e quando perguntado por que ninguém faz, responde que é pela falta de capacidade de gestão e de diagnósticos errados. Aproveitando, diante de tudo isso, não ?reclamem ao bispo?, no caso, ao papa. Peçam para que continue dando exemplos aos nossos políticos.

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