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Opinião

A fera insaci�vel continua solta?

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Quando da espetaculosa Operação Taturana, muitos dos simpatizantes dos deputados estaduais indiciados, a título de defesa do indefensável, garantiam que nada mudaria na Casa de Tavares Bastos e que os altos valores dispendidos não seriam interrompidos sob nenhuma hipótese. O tempo deu-lhes razão. Hoje, em verdade, não se encontra quem queira lembrar-se dos acontecimentos policiais que fizeram a Casa de Tavares Bastos tremer em seus centenários alicerces. Não se fala mais na lagarta de apetite voraz acusada de roer algo como R$ 200 milhões ao longo de cinco anos, segundo documentos arrolados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. Deflagrada em 6 de dezembro de 2007, a chamada Operação Taturana acusou uma plêiade de parlamentares estaduais de Alagoas por apropriação irregular de valores contabilizados na faixa de R$ 40 milhões por ano. Quem sabe, seis anos depois, a quantas anda esse processo? Mas não é o caso de, aqui e agora, fazer uma reportagem investigativa sobre o destino das taturanas. Nessas mal traçadas linhas, buscamos apenas o avivamento da memória cidadã sobre um fato escandaloso de ontem, tentando, assim, atiçar as faíscas da indignação de hoje, buscando um mínimo de luz sobre as brumas, cada dia mais plúmbeas, que teimam em cassar à contabilidade da Assembleia Legislativa de Alagoas a capacidade de ser, um mínimo que seja, transparente. Voltando ao raciocínio meramente aritmético, a pergunta é: e se considerando que os números levantados pelo Ministério Público Federal, pela Polícia Federal e conferidos pelo Poder Judiciário alagoano apontaram para uma ?gordura? nas contas, feitas em 2007, da Casa de Tavares Bastos, na ordem de R$ 40 milhões/ano, por que é o afamado ?duodécimo? não foi, desde então, reduzido para os valores apropriados? Se o duodécimo não foi reduzido desde então, é evidente que tem sido enviado, ao longo de seis anos, dinheiro de sobra para o Poder Legislativo. Trata-se de uma questão matemática. Noves fora nada? Pelo contrário, muitos milhões estão à cata de justificativa para seu movimento. Em que foram e estão sendo gastos? Esta é uma pergunta que precisa ser respondida de forma objetiva ? a não ser que dois mais dois já não sejam quatro.

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