Opinião
NORAS
Quando casei, tive meu tempo de sonhos. Queria constituir uma família nos padrões dos anos 1960. Com marido, filhos e nem pensar em separação. Aquela união seria para toda a vida, como vi meus pais, que, apesar de brigarem muito, seguiram unidos até o fim com o mesmo propósito. Nada de, ?se não der certo, separamos?, como acontece nos dias de hoje... Criei meus filhos com certo rigor e muito, muito carinho. Amo todos eles, igualmente, sentindo ternura só em olhá-los, mesmo quando erram. Lembro-me de cada passagem de sua infância. Preparei todos para serem homens respeitados e respeitosos. Só casassem quando pudessem ser donos de um lar, sem qualquer dependência financeira, visto que não nasci canguru com bolsa, para carregá-los pela vida afora. Assim aconteceu, e eu me preparei para receber noras amigas. Para ajudá-las no que fosse possível, reunindo-as, junto com os netos num clima de cordialidade amistosa. De verdade! Acontece que a maioria das moças que casam, com honrosas exceções, vê na sogra uma rival a ser derrotada. Esquecem que aquele homem bom, generoso e atencioso, por quem se apaixonaram, foi educado por aquela mulher ?chata e metida?. Essa aí que não quer nada além de um pouco de carinho e atenção. Que, por princípios, jamais deixaria de dar razão à nora, quando essa precisasse. Que a acolhera no seio de sua família fazendo-a parte integrante de um grupo homogêneo com costumes próprios e por vezes cultura mais avançada. Que, sem levar em conta tais diferenças, essa sogra procura nivelar-se fazendo de conta que não vê e nem ouve. Trata-se de uma política complicada quando a nora, sem razão aparente nem remota, apenas por ciúmes e pouco alcance hostiliza o marido e, naturalmente, a sogra ?que é culpada de todos os desacertos?. Já tive uma sogra. Era e sempre foi minha amiga, a maior, depois da minha mãe. Sogra sabia dar nó em pingo d?água. Quando a nora não quer ouvir a voz da razão, o arrependimento não traz aquele homem de volta. E, no lugar de uma encrenqueira, pode surgir uma jovem mais inteligente, espontânea que nos relembre que uma nora poderá ser aquela boa amiga por quem estávamos esperando. Uma com a bandeira branca.