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Suspeitas de um fundo tucanoduto

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Desde o turbilhão do êxtase midiático provocado pelo andamento da célebre Ação Penal 470, equivocada e maliciosamente apelidada de ?Mensalão?, o foco dos veículos de mídia sediados no eixo Rio/São Paulo buscava, com bastante sucesso, direcionar as denúncias sobre a corrupção brasileira exclusivamente contra o PT e sua ?base aliada? como se essas siglas tivessem sido as inventoras e únicas praticantes das falcatruas na politicagem brasileira. Não resta dúvida que muitas das acusações eram procedentes, várias devidamente comprovadas por fartas provas. Negar isto é acumpliciar o malfeito (como gosta de dizer a presidente Dilma), e cobrar punições exemplares trata-se de ato cidadão. A malícia se situa na tentativa de tornar os atuais governistas os únicos a cometer essas maracutaias (para usar outra palavra típica), e com base nesse falso exclusivismo, ?anistiar? desmandos semelhantes, ou muito maiores, cometidos por integrantes de siglas preferenciais das velhas elites tupiniquins. Assim foi com a metamorfose do conceito ?Mensalão?. Como se sabe, o parcelamento mensal para aquisição de votos no Parlamento foi criado pioneiramente para custear a aprovação da emenda que implantou, às pressas, a reeleição para cargos executivos com o objetivo de garantir um novo mandato ao então presidente FHC. Anos depois, o termo foi repaginado contra próceres petistas para rotular a velha prática do ?caixa dois?. E, como que para exorcizar desse pecado seus verdadeiros criadores, a palavra foi pespegada às testas dos acusados por ?caixa dois? durante a primeira gestão Lula e, por tal delito, processados e julgados com acompanhamento ao vivo e a cores, para gáudio de todos os defensores da ética na política. Mas a ética na política só será uma prática verdadeira se exercida sem distinção de siglas, alcançando com igual rigor a quem, situacionistas e/ou oposicionistas, indistintamente, tenham cometido ilegalidades. A investigação em curso sobre um suposto tucanoduto existente no subsolo do metrô paulista pode ser um alento. Quem sabe, desta vez, as ululantes evidências, como as irradiadas do mensalão da reeleição de FCH, não serão engavetadas? Oxalá.

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