Opinião
As taturanas voltaram ou elas nunca sa�ram?
Com razão, sobe a temperatura no debate sobre as denúncias de irregularidades na Assembleia Legislativa de Alagoas. Com os pronunciamentos divulgados pela imprensa fica patente a impressão de que a correlação de forças no tocante a essa polêmica reproduz a divisão cristalizada entre a maioria e a minoria dos ocupantes das cadeiras na Casa de Tavares Bastos. Pelo andar da carruagem, um número maior de parlamentares, apoiadores da Mesa Diretora desde a eleição desta, considera inverídicas as acusações, enquanto uma quantidade menor de legisladores exige a apuração do denunciado. Uma CPI já entrou na baila, mas a dita cuja parece fadada ao aborto, a julgar pela diferença entre tantos que se manifestam pela improcedência das suspeitas e quantos se posicionam pela apuração rigorosa do exposto pelo deputado João Henrique Caldas. Menos provável, a hipótese de uma reviravolta no placar hoje presumível quando da votação da proposta da CPI está ligada apenas às pressões que possam emanar da opinião pública. Restará, para dirimir dúvida tão atroz (estão ou não estão roendo o dinheiro da Casa de Tavares Bastos?), a instauração de inquéritos competentes desde o mundo exterior ao palacete da Praça Dom Pedro II, também conhecida como Praça da Catedral. O caminho externo não é novo. É o mesmo trilhado quando da Operação Taturana, deflagrada nos idos de 2009. Naturalmente, outras veredas podem, e devem, ser tentadas. Mas a via, a direção e o sentido terão de ser semelhantes aos percorridos pelas tropas de choque investigativas da Polícia Federal, Ministério Público Federal, Justiça Federal, Justiça Estadual, Ministério Público Estadual e polícia estadual... Em resumo, ações exógenas ao Poder Legislativo alagoano, em iniciativas tomadas de fora para dentro. Sem isso, não existe esperança. As coisas continuarão como dantes no quartel de Abrantes, estejam sendo praticadas dentro ou fora da lei. O mais preocupante é a sensação de que a praga das taturanas teria voltado a atacar. Ou, pior, cresce a impressão de que as vorazes lagartas nunca teriam sequer entrado no casulo e durante todo esse tempo teriam mantido seu apetite pantagruélico. Será?