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A ousadia do Uruguai na luta contra o tr�fico

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Com a aprovação de uma controvertida legislação, o Uruguai está assumindo uma posição de vanguarda no tocante à questão das drogas e ao combate à criminalidade baseada no tráfico. O projeto de legalização da maconha naquele país, já aprovado pela Câmara dos Deputados, seguiu para o Senado uruguaio, donde se espera a ratificação final da proposta. Segundo os analistas internacionais, esse projeto alça o Uruguai à condição de primeiro Estado no mundo a assumir, de todo, o processo, da produção ao consumo, da ?erva?. A inovadora legislação determina o controle estatal sobre ?plantio, cultivo, colheita, produção, aquisição, armazenamento, comercialização e distribuição da maconha e seus derivados?. A ousada iniciativa é parte de um projeto de reduzir a criminalidade, partindo do princípio que a ilicitude amplia a violência e turbina as organizações criminosas. Baseia-se também na concepção de que a transparência no uso possibilitará à sociedade uma melhor abordagem do problema. Pela proposta, os usuários terão de se identificar junto aos órgãos governamentais e terão direito a comprar, em farmácias, até 40 gramas de maconha por mês, além de lhes ser permitido o cultivo de até seis pés de cannabis sativa por pessoa usuária. Um salto ousado! Apesar de contar com o apoio da maioria parlamentar, o projeto não tem conseguido ganhar a simpatia da maioria dos uruguaios. Em recente pesquisa de opinião, foram registrados 63% de rejeição à ideia. No Brasil, existem ideias semelhantes que, de vez em quando, são lançadas à ribalta. Um dos mais ardorosos defensores da descriminalização das drogas tem sido o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas seu partido não tem se mexido no sentido de apresentar alguma proposta nesse sentido. Em resumo: nosso país não tem se lançado com ousadia (mesmo que não seja do calibre dos uruguaios) e disposição inovadora na luta contra o tráfico de drogas. E o problema só tem aumentado entre os brasileiros. Mesmo sem copiar nosso vizinho ao sul, nossas autoridades precisam prestar mais atenção aos atrevimentos de nossos vizinhos no enfrentamento a problemas desta natureza.

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