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Perdendo a batalha contra um mosquito

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Com o diagnóstico de que o senador, e ex-presidente da República, José Sarney estaria com dengue aguda, confirma-se, para quem duvidar poderia, que nem as pessoas mais poderosas estão em segurança frente às falhas de uma eficiente política de prevenção da saúde pública. Reafirma-se a inexorabilidade dos amplos riscos decorrentes de deficiências no combate a verdadeiras endemias no Brasil. Há mais de um século, porém, o Brasil marcava época com o início da campanha vitoriosa contra a febre amarela, pois em 1902, sob a batuta do sanitarista Emílio Ribas se iniciava uma jornada que seria coroada em grande estilo com o comando do grande médico Oswaldo Cruz, que inicia (debaixo de muitos protestos motivados pela ignorância) a campanha contra a febre amarela no Rio de Janeiro, então Capital Federal. Depois dos sucessos dessas primeiras iniciativas, a luta prossegue por mais meio século, até que, em 1957, a doença é considerada extinta em nosso país. E o que tem a febre amarela, que aterrorizava o Brasil, mantando à larga até 1902, com os atuais surtos de dengue? O mosquito Aedes aegypti. Este mesmo inseto, como nós sabemos, é também o transmissor da dengue. E mais: a erradicação da temível febre amarela, depois das grandes batalhas travadas entre 1902 e 1957, foi decretada tendo como base a erradicação do mosquito Aedes aegypti no Brasil! Ou seja, o reaparecimento do vetor de transmissão reascende o sinal de alerta em relação a mais perigo além da já terrível dengue. Não há como falar em combate eficiente à dengue sem uma política eficaz de erradicação (novamente) do mosquito transmissor, o Aedes aegypti. E o desafio é de enorme importância, pois está claro que o reaparecimento, em larga escala, das populações desse pernilongo, deixa várias portas abertas para doenças graves e com consideráveis índices de mortalidade entre os seres humanos. Se há 56 anos o Brasil teve condições de vencer o Aedes aegypti, por que não teria como fazê-lo novamente em nossa época? Considerando os avanços tecnológicos, é óbvio que um tempo menor que meio século de luta seria necessário para vencer esta guerra. Por que isso não acontece? Por que não avançamos sequer de volta ao passado, considerando meio século de recuo, em termos de saúde pública?

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