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ADVOGADOS: COMO VIVEMOS, APRENDEMOS E SOFREMOS

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Tomo este título emprestado ao jurista Antônio Manuel de Carvalho Neto que em sua obra com tal denominação já no século 19 bem compreendeu e sentiu a necessidade de esclarecer ao povo o sentimento da profissão cidadã, bem como sua importância para a sociedade e para a conservação da democracia. Única profissão liberal de cunho constitucional, a advocacia tem seu sustentáculo no termo latino ad vocatus, ou seja, aquele que empresta a voz aos que não têm; aquele que na assembleia representa outrem que não pode ou não sabe falar por si e ainda aquele que serve de intermediário entre o cidadão e a justiça. Ser advogado, seja ele recém iniciado na profissão ou mais antigo no ofício, requer largo sacrifício e capacidade de conviver com a ansiedade e o sofrimento. A começar pelo fato inerente à profissão de depender sempre de outrem para ver o resultado de seu trabalho, posto que por melhor que faça ou seja, não é ele quem decide as lides, quem põe termo aos processos e casos que lhes são confiados, mas sim o poder judiciário, que como toda instituição humana, muitas vezes não é tão célere, não se faz tão eficaz. O advogado ainda convive com a dificuldade de um sistema legal complexo e muitas vezes cheio de lacunas e contradições, de normas jurídicas mutáveis e em constate dialética, o que lhe obriga a sempre estudar para se manter atualizado num emaranhado de leis e decisões que lhe custam os finais de semana, as noites e o descanso. Ao escolher uma causa, ou ser escolhido por ela, o advogado vive a dedicação pura, pois numa simbiose profissional manterá com o cliente a relação solar: nem tão perto que se envolva ao ponto de perder a visão profissional e fria do problema, nem tão longe que não sinta a dor e o sofrimento de quem lhe procura e precisa de seus serviços. Além do excessivo estudo e trabalho e da absoluta dependência de terceiros para o êxito de suas lides, o que deve sempre lhe ensinar a lição da humildade e consciência de sua humanidade, convive ainda muitas vezes com a incompreensão social, posto que defende o pecador ainda que não defenda o pecado. Tendo muitas vezes com altivez que se postar contrariamente à opinião publica, quando esta estiver contrária ao seu cliente, criando uma barreira entre o linchamento e seu cliente, buscando lhe fazer justiça. O importante é que com ética e responsabilidade defenda a causa que aceitou e dê ao seu constituinte o direito de ser ouvido, de contar sua versão da história. Parabéns advogados e advogadas!

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