Opinião
CRIME N�O INTEIRAMENTE ESCLARECIDO
Chocou a opinião pública um crime ocorrido recentemente em São Paulo. Um adolescente de 13 anos é apresentado como autor do assassinato de quatro familiares, de maneira brutal, incluindo seus pais. A seguir, cometeu suicídio. Essa é a versão. Tudo leva a crer que sim. Entretanto, por que somente uma linha de investigação? Por vezes, passado algum tempo de um caso encerrado, aparecem novas versões e evidências que mudam a certeza anterior. Iniciava o artigo da semana discutindo o problema violência, que é preocupação de toda a sociedade, quando li o texto de uma escritora de minha admiração pessoal abordando o tema. E o faz com tanta clareza que resolvi transcrever alguns tópicos do trabalho. Merece ser lido e discutido. Assim diz: ?O crime se tornou banal, a vida vale quase nada. Poucos de meus conhecidos não foram assaltados ou não conhecem alguém assaltado: ser assaltado é quase natural ? não só em bairros ditos perigosos ou nas grandes cidades, mas também no interior se perdeu a velha noção de bucolismo e segurança. Pessoas inocentes são chacinadas: vemos protestos, manifestações, lágrimas, mas nada compensará o desespero das famílias ou pessoas destroçadas, cujo número não para de crescer. Morar em casa é considerado loucura, a não ser em alguns condomínios, e mesmo nesses casos o crime pode controlar o porteiro: entram, roubam, maltratam, matam. Recomenda-se que moremos em edifícios: ?mais seguros?, seria a ideia. Mas, mesmo nos edifícios, a polícia aconselha porteiros preparados e instruídos para proteger dentro do possível nossos lares agora precários. Somos uma geração assustada, desamparada, confinada, gradeada ? parece sonho que há não tanto tempo fosse natural morar em casa, a casa não ter cerca, a meninada brincar na calçada; e não morávamos em ilhas longínquas de continentes remotos, mas aqui mesmo, em bairros de cidades normais. Recentemente, um criminoso de 15 anos confessou tranquilamente ter matado doze pessoas. ?Me deu vontade?, explicou, sem problema, e sorria. ?Hoje, a gente saiu a fim de matar?, comentou outro adolescente, depois de assaltar, violentar e matar um jovem casal junto com outro comparsa. A impunidade é tema de conversas cotidianas. Estamos indefesos e apavorados, nas mãos do acaso. Até quando??. Ah, leitor. Caim matou Abel, diz o texto histórico. Mas quando o crime atinge uma família, essa estrutura básica do todo social, e são muitos os casos, a dor dói mais. São parcelas de nossas próprias vidas.