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PEQUENA MORTE

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No contexto da história contemporânea, as palavras do primeiro-ministro britânico Winston Churchill se mostram lembradas: ?a política é quase tão excitante como a guerra, e não menos perigosa. Na guerra se morre apenas uma vez, mas na política se morre diversas vezes?. Os símbolos políticos sofrem em sua trajetória episódios adversos que produzem gradativos declínios. Desencontros e algumas derrotas ameaçam a vida das bandeiras vitoriosas. No entanto, existe sempre a possibilidade de um renascer, capaz de retomar entusiasmos e reacender a chama de antigos sonhos. O João Cabral de Melo Neto, no vigor de sua inspiração, disse em uma de suas destacadas páginas que, o toureiro vitorioso, passa a ideia de que vai morrer, diante do perigo iminente. O seu triunfo se torna mais consagrador pelos riscos enfrentados e temores superados. Os franceses, na seara dos embates amorosos, possuem uma expressão (petite mort), pequena morte, para traduzir o instante culminante dos enlevos sentimentais. Um êxtase, uma perda momentânea dos sentidos, uma intensa emoção, vivenciada pelos que se entregam à plenitude das realizações. A canção francesa, chamada Petite mort, interpretada por Béatrice Martin, fala da duração de um suspiro, deixando lembranças e ecos de sorrisos. Depois, um espaço manchado de branco, sugere um convite para balançar a morte porque o espírito adormece lentamente. Os seres humanos em diversas situações, pelo decorrer do tempo, ou em função de causas adversas, morrem um pouco a cada momento. As despedidas definitivas são sempre antecedidas e anunciadas pelas pequenas mortes. As dores do mundo, as buscas e os desencantos, dividem e fracionam a existência, em capítulos nostálgicos. Felizes aqueles que percebem a essência da beleza dos desafios, cultivam com intensidade os momentos que passam e constroem reservas de amor. Sendo capazes de, ao lado das perdas inevitáveis, descobrir novas ilusões e gerar alegrias que prolongam a existência humana, pelas motivações que proporcionam razões para viver. A verdade lembrada pela simplicidade luminosa de Goethe, ?morrer seria não ser visto?, impulsiona a todos a buscar a visibilidade necessária para colher as surpresas das novas descobertas e a erguer os gestos que incentivam os deveres da convivência humana. Resta-nos aceitar as regras políticas de cada realidade, impregnar-se pelas ideias dominantes do nosso tempo e encarar os apelos ditados pelos sentimentos que regem o coração.

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