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Opinião

JULGAR SEM PAIX�ES

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Kant, de uma forma aqui simplificada, afirmava que o nosso ânimo ou aparelho representacional seria constituído por três faculdades ou capacidades distintas :a faculdade de conhecer,que seria objetiva e universal; a faculdade da ética,também objetiva e universal e a faculdade de julgar,essa também universal,todavia subjetiva. Recomeçou em Brasília a segunda fase do julgamento do mensalão, enquanto em São Paulo o cartel da Siemens apenas esquenta,acenando para um desenrolar ainda imprevisível, mas inevitavelmente crítico. Aproveitando a estreia no STF, o ministro Luis Roberto Barroso, exortou que a corrupção não pertence ao PT, ao PSDB, ao PMDB, mas é apenas corrupção, despertando justa atenção e apreço,mas o mesmo não ocorreu quando deixou claro que julgaria vários aspectos do mensalão de forma diversa da Corte. Embora seja óbvio, como Kant alertava ? e comprovamos no dia a dia, nas menores coisas, como no exercício da profissão,no convívio com os amigos e em tudo ? que o julgamento desde as pequenas até as coisas maiores, é subjetivo e depende muito da vivência pessoal, espera-se que no mensalão, no caso Siemens e outros mais, o julgamento seja feito de forma imparcial e independente.Idealmente, na premissa aristotélica de que cometer uma injustiça é mais grave que sofrê-la. E isso sempre será um imenso desafio a ser superado. Seria preciso que o homem fosse desprovido de paixões, o que é dificílimo,segundo afirmava Rousseau ?Tudo o que parece estender ou fortalecer a nossa existência encantá-nos, tudo o que parece destruí-la ou abreviá-la afligénos. Essa é a fonte primitiva de nossas paixões. Elas são os principais instrumentos de nossa conservação?. Embora os simpatizantes de uma ou outra agremiação partidária preconizem existir corrupção somente nos adversários, ela poderá estar em qualquer uma delas e sempre existirá a necessidade absoluta de exigir dos que julgam os ilícitos penais, que o façam de forma isenta e proporcional ao delitos cometidos. E isso será sempre um elevado risco em se tratando de viventes submetidos às paixões. Como alertava Sartre em Condenados de Altona ?Não se julga os que se ama?. Resta-nos cobrar para que a justiça seja feita,sem as paixões que possam desvirtuá-la,punindo os que cometeram delitos no exercício da coisa pública, independente de suas filiações partidárias, ou quaisquer outras.

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