loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

A desinforma��o e a realidade �rabe

Ouvir
Compartilhar

Ainda chocada com o banho de sangue continuado nas ruas das cidades do Egito, a opinião pública ocidental parece presa, atônita, de sua própria armadilha ideológica: a canhestra definição de ?primavera? dada às revoltas sacudiram vários países árabes. Embora a tragédia maior, e a contradição mais explícita, estejam se dando no Egito, a realidade dramática é a mesma: não existe a tal ?primavera?. As rebeliões seguiram caminhos distintos e em contraposição ao sonhado, e rotulado apressadamente, pela mídia e ideólogos ocidentais. Em verdade, a conceituação política pretendida tem origem na histórica ?Primavera dos Povos?, ampla sequência de rebeliões que sacudiram e transformaram a Europa entre 1848 e 1871 e findaram por desenhar o modelo da democracia mais ou menos como entendida hoje. O termo, a partir de meados do século 20, passou a ser usado como figura de retórica política a partir da rebelião dos checos contra as normas da então Cortina de Ferro, nos idos de 1968. Convertido em rótulo fácil, foi sendo usado aqui e ali ao sabor da Guerra Fria e depois foi perdendo força, especialmente após o desmoronamento da União Soviética. Retornar com força e profunda superficialidade a partir do levante popular na Tunísia em 18 de dezembro de 2010, sequenciado por uma onda de rebeliões em várias nações muçulmanas. O ponto alto foi a destruição do regime líbio e o assassinato bárbaro do bárbaro Muamar Kadafi levou a mídia ocidental ao delírio. Daí o próximo momento de êxtase foi a queda de Hosni Mubarak do governo do Egito sob uma torrencial onda de contestação desencadeada a partir de uma praça tornada celebridade, a Tahrir. Até aí, tudo bem, aparentemente. Como um pequeno esforço de edição, essas mudanças eram apresentadas como ?revoluções democráticas? apontando para regimes semelhantes ao modelo democrático. Poucos questionaram o fato de, por exemplo, o novo regime líbio ser mais reacionário, mais violento e mais fundamentalista que a ditadura de Kadafi. Mas como Egito é o mais estratégico dos países da região, todos prestam atenção ao que acontece no Cairo. E, dali, pela teimosia do sangue derramado, os apressados analistas ocidentais são forçados a reconhecer que pouco ou nada sabemos do que acontece, de fato, no chamado mundo árabe.

Relacionadas