Opinião
POLICIFOBIA
Entidades de classes representativas dos militares de Alagoas contabilizam o homicídio de 8 companheiros policiais em menos de 2 meses, concluindo que são vítimas de caçada praticadas por bandidos que combatem no dia a dia. As manifestações classistas estão longe de alcançar a mesma repercussão dada às classes consideradas minorias que, por menores que sejam, são mais numerosas que os valorosos policiais. O homicídio de um morador de rua pauta a mídia com manifestações de entidades protetoras de direitos humanos, organizações quase não governamentais, políticos e autoridades. Quando a vítima é integrante de movimento social, a cobrança se dá com invasão de órgãos públicos, bloqueio de rodovias, centenas de faixas e cartazes, queima de pneus, contagem de prazo na apuração e a data do crime, dependendo da visibilidade da vítima, passa a ser referencial de luta. Homicídio que vitima integrante LGBT é logo tipificado como homofobia. Homicídio que vitima policial, o que é? A temporada de caça ao policial denunciada pelas entidades classistas é atribuída às escalas de serviço que maximizam a exposição dos militares, responsáveis por centenas de prisões de criminosos que não passam muito tempo na cadeia. O curto período no cárcere estimula criminosos à reincidência e, pior ainda, à prática de crimes mais ousados e violentos. Na ousadia bandida, o grau máximo é matar policial, ação que é condecorada com a tatuagem de palhaço no corpo, cada vez mais visível nas apresentações de quadrilhas. Policiais que investigam e prendem matadores de seus companheiros de trabalho são logo acusados de tortura e enfrentam a dura sensação de que os papéis estão invertidos, o criminoso passa a ser vítima e o investigador o criminoso, triste realidade que macula a carreira de muitos profissionais da segurança pública. A inversão é tão desproporcional que policiais rogam por apenas ter os mesmos direitos que os criminosos têm, pelo menos à dúvida. Quanto mais desenvolvido o país mais valorizado é o policial, e sua morte é muito sentida, principalmente quando no cumprimento do dever, acompanhada de cerimonial dispensado aos heróis nacionais. Aqui, vale a máxima de que polícia perto incomoda e longe faz falta. Será que vivemos um sentimento de repulsa e desvalorização do policial? Já imaginaram o que aconteceria se no mesmo período fossem assassinados 8 médicos, 8 engenheiros, 8 professores, 8 jornalistas, 8 políticos, 8 integrantes de qualquer outra classe?