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Riqueza instant�nea e impunidade longeva?

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Mais uma operação bombástica desencadeada em conjunto pela Polícia Federal e pela Receita Federal sacode Alagoas. Desta vez, a denominação remeteu-se à Antiguidade, trazendo à baila o até então desconhecido personagem Abdalônimo, que seria conhecido também como Balônimo e/ou Aralynomus. Pois Abdalônimo, ou outros nomes que tenha tido, teria sido um homem pobre, vivente no quarto século antes de Cristo, e que teria sido repentinamente convertido em milionário e rei de Sidon, por obra e graça do imperador Alexandre, o Grande (356 a.C. ? 323 a.C.). O enriquecimento relâmpago é um elo de ligação entre os dois momentos distanciados por quase 2.500 anos. E, indiscutivelmente, todo milionário que surge do nada merece atenção redobrada, pois na maioria dos casos, tal explosão de dinheiro tem origem ilícita. Naturalmente, não se pode condenar ninguém por antecipação. O processo em tela está apenas começando e muita água ainda vai rolar por baixo e por cima das pontes. Mas, sem precipitações e sem postergações, se faz indispensável que as investigações sejam redobradas, aprofundadas e que respostas sejam dadas à sociedade. Responder à sociedade significa não apenas apresentar acusações, muito menos versões e menos ainda protelações jurídicas destinadas a manter os casos em banho-maria apostando no desaquecimento dos fatos e no esquecimento crônico que geralmente acomete a opinião pública. São estarrecedoras as ilações sussurradas sobre os bastidores do que estaria sendo levantado pelas investigações da Operação Abdalônimo. Naturalmente, não se pode dar crédito a comentários de bastidores, mas tais observações, espalhadas à boca miúda têm o condão de produzir danos graúdos a reputações mais variadas. Daí, esclarecer detalhadamente as acusações, dar seguimento aos processos e identificar os responsáveis pelos crimes apontados é questão não apenas policial, mas critério de cidadania. Os passos seguintes, os devidos julgamentos e seus veredictos, igualmente fazem parte do caminhar democrático. Isto é óbvio. Mas, infelizmente, não são poucos os processos bombásticos que terminam dando em água e, transformados em fogo morto, reduzem a cinzas as esperanças no fim da impunidade. Oxalá este não seja o fim da Abdalônimo.

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