Opinião
PREST�GIO QUE N�O VALE UM CONTO
Não escrevo apenas porque me dá grande prazer. Faço-o também para dar voz a muitos que gostariam de ter uma coluna tão importante para expressar seus sentimentos e não têm esta oportunidade. Escuto a voz dos amigos, os que me conhecem apenas pelo nome, mas que abordam, comentam e sugerem pauta sempre focada num mesmo tema: Alagoas. Nesses encontros, percebo que os alagoanos não estão desligados dos problemas que nos afligem no dia a dia. Muito pelo contrário, existe angústia, uma imensa vontade de desabafar para dizer que somos muito bons, temos um potencial imensurável e poderíamos, sim, não sermos os lanterninhas em todos os índices sociais. O litoral mais bonito do país, rios, lagunas para produzir sem limites o sustento de milhares de famílias. Nas regiões chamadas críticas do semiárido, por exemplo, está a Hidroelétrica de Xingó gerando desenvolvimento para o Nordeste através do fornecimento de energia; o Canal do Sertão que há décadas se arrasta como jabuti, mas que agora parece acelerar os lentos passos dos últimos vinte anos. Se não desviarem o curso de suas águas para outros fins, vai aliviar o sofrimento de muitos sertanejos excluídos da ação do poder público. A Bacia Leiteira tão importante como geradora de empregos diretos e indiretos na produção de rebanhos, laticínios e derivados. As nossas ricas tradições culturais e históricas. O artesanato é uma referência nacional. O inesgotável subsolo. Somos o Estado que possui as mais variadas manifestações folclóricas do mundo. Imaginem como Alagoas é abençoado por Deus e condenado pelos homens. Da terra fértil, nasceram para servir à República marechais, generais, presidentes, senadores influentes, deputados. Superintendentes e diretores de órgãos e instituições importantes para o desenvolvimento da vida brasileira. Ao elevarmos ao topo do poder tantos conterrâneos ilustres, notáveis, o que recebemos em troca se não um poço profundo de dificuldades que emperra o desenvolvimento? Não basta olhar o presente, mas voltar-se ao passado, porque foi o passado que construiu o presente. E o presente dirá quem seremos no futuro. Os de ontem acusam os de hoje. Eximem-se da responsabilidade, querendo tirar das costas o peso da omissão e o dever de casa não cumprido.