Opinião
Mais um esfor�o para valorizar nossa orla
Duas iniciativas demolidoras, realizadas pela Prefeitura Municipal de Maceió, chamaram a atenção da mídia nos últimos dias. Uma delas, a antiga ?balança? de peixes na Praia de Pajuçara, parece ser uma eliminação consensual e outra, a do antigo posto de salva-vidas na Praia da Avenida da Paz, gerou certa polêmica. Desativado pela inauguração de um moderno posto de venda de frutos do mar, construído a seu lado, o velho ponto de venda de pescados da Pajuçara não tinha mais serventia e havia se transformando num reduto para consumo de drogas. Feio, sem arquitetura inexpressiva, sua eliminação provoca protestos apenas pela lentidão dos demolidores. Mas o simpático posto de salva-vidas, inegavelmente, tinha lá seus admiradores. De arquitetura simplória, mas simpática, conferia à Praia da Avenida da Paz mais um item bucólico, especialmente ressaltado quando do magnífico pôr do sol que é uma das marcas de nossa cidade. As reclamações dos simpatizantes não chegaram a tempo de dar uma chance à pequena torre de observação. Com ou sem protestos, vale a pena reconhecer que essas duas desconstruções fazem parte de um processo de valorização urbana e ambiental da orla de Maceió. Infelizmente, tem sido um traço cultural em nossa cidade o deplorável esforço de enfear uma das mais belas paisagens urbanas do Brasil. Malgrado a enorme beleza natural maceioense, tem sido desastrosa a intervenção humana nesse perímetro abençoado no qual se edifica a capital alagoana. Não sem razão, os habitantes primitivos de nossa cidade, em sua língua autóctone, chamavam a esta área de Maçaiok, termo que, vertido ao português, queria dizer algo como ?o que tapou o alagadiço?, o que parece denunciar uma atividade ancestral de afrontar o traçado sinuoso original dos rios, riachos e canais que serpenteavam por aqui. Da beleza ancestral, quiçá pré-histórica, nada restou e talvez os derradeiros suspiros foram abafados pelo assoreamento poluidor do Canal da Levada e pela ?retificação? do Salgadinho, cujos trajetos naturais conseguiram alcançar o século 20. Isto posto, resta saudar que essas recentes obras de ?limpeza estética? possam fazer parte, enfim, de uma ampla política de valorização urbana das belezas naturais de Maceió.