Opinião
AS VIDEOAULAS E A PREPARA��O PARA O ENEM
Mais uma vez os milhões de estudantes inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) terão as videoaulas como reforço na busca pela sonhada vaga na universidade pública. A ferramenta que representa um avanço na democratização do ensino traz como vantagens o acesso a professores de qualidade, conteúdos complementares aos da escola e possibilidade de ver e rever a aula quantas vezes quiser, em qualquer lugar, principalmente com o advento dos aparelhos móveis e da internet 3G. Os canais de videoaulas voltados para o Enem estão fazendo com que professores antes pouco conhecidos se tornem verdadeiros fenômenos midiáticos, com reconhecimento nacional e grande popularidade entre os jovens. São os casos dos professores Nerckie e Paulo Jubilut, que, juntos, somam mais de 43 milhões de visualizações dos vídeos postados no YouTube, com os canais Vestibulândia e Biologia Total, respectivamente. Tudo isso sem gastar fortunas em superproduções de audiovisual. E quais são os públicos beneficiados? Todos, se considerarmos o critério do acúmulo de estudo. Do iniciante ao vestibulando veterano, os conteúdos dessa modalidade informal de ensino à distância atendem às mais diversas expectativas. Por serem didáticos, servem como recurso de introdução à matéria. Mas, ao aprofundarem determinados temas, permitem ao candidato que já viu e reviu o assunto ir direto ao ponto deficiente sem ter de esperar pelo cronograma da sala de aula ou mesmo ter de pagar por reforço. Embora as videoaulas incentivem o autodidatismo dos estudantes, a ferramenta também pode representar um risco ao aprendizado. Isso porque, em meio à diversidade de conteúdos, informações incorretas são reproduzidas como se fossem verdadeiras, fazendo com que os usuários assimilem bobagens ou mesmo tenham de procurar outras fontes para conferir a veracidade da aula. Nesses casos, o preço pode ser o fracasso no vestibular e mais um ano de estudo pela frente. Duas medidas simples para evitar esse risco são conferir o currículo do professor e buscar sites confiáveis, além de, claro, consultar sempre os livros didáticos sugeridos pelo Ministério da Educação e os profissionais que estão diariamente na sala de aula para eventuais dúvidas. Essa é a principal razão da sobrevida de colégios locais e cursinhos pré-vestibulares, que poderão perder espaço no mercado com a profissionalização do ensino à distância.