Opinião
VIDA A SERVI�O DA VIDA
Por ocasião da minha posse na Academia Brasileira de Médicos Escritores ? Abrames, no Rio, sentei-me na cadeira indicada pelo protocolo e junto a mim ocupou a cadeira vizinha uma acadêmica, senhora de seus 60 anos, de São Paulo. Cumprimentou-me e perguntou se eu era carioca; respondi que era alagoano, do Estado de Aurélio Buarque de Holanda e Lêdo Ivo. Ela fez uma exclamação de alegria: conhecia Maceió e ficou encantada com as praias, lagoas, com o artesanato e comidas regionais; visitou o Museu do Instituto Histórico, o Museu Pierre Chalita e o Museu de Lêdo Ivo no Palácio. Conto-lhe isso, leitor, para relatar a seguir um fato que essa bem falante escritora me contou enquanto aguardávamos o início da cerimônia da Academia. Não era uma católica no sentido formal, de comparecimento à cerimônias e rituais religiosos. Ela se autodefinia como uma espiritualista, tentativa de relação com o divino, na busca pelo sagrado, na meditação, na leitura dos textos sagrados, no silêncio pleno de seu pensamento voltado para Deus. Cultivava à meditação. Viera ao Rio na semana anterior para ver e ouvir o papa, de quem faziam referências as mais elogiosas e ficaria para a reunião da Abrames. Perguntei o que achara do papa? Respondeu: ? Um homem extraordinário na teologia, no conhecimento humano e na comunicação. Continuou; ? cheguei bem próxima dele. E fiquei atraída pelo seu carisma, simpatia e pelos gestos marcados pela espontaneidade. Abriu uma brecha na couraça de certas resistências religiosas que mantenho. Tento reproduzir esse quase monólogo dessa acadêmica falante. Continuava: ? Como fazer o que ele pede; como ir às periferias não apenas geográficas, mas também existenciais? Um dia depois do encerramento da JMJ tomou uma resolução; seria voluntária. Organizaria um grupo de apoio a idosos, à crianças de rua ou a portadores de síndrome de Down. Mas não faria sozinha. Ligou para cinquenta amigas em São Paulo e explicou sua decisão. Trinta e duas responderam que sim. Formariam uma pequena organização de voluntariado. Já começava a solenidade da Abrames. Nesta segunda-feira, recebi um e-mail dela. Já haviam escolhido o local para o trabalho voluntário. Uma casa de idosos na periferia de São Paulo. Uma das companheiras, engenheira, já fizera o projeto de reforma da casa e haviam relacionado as necessidades imediatas dos idosos. Traduziram o trabalho voluntário a ser realizado com um slogan: vida a serviço da vida!