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Opinião

Infelizmente pode ficar ainda pior

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Insofismável verdade é que Alagoas muito se ressente da excessiva concentração econômica do setor sucroalcooleiro no Estado. Afinal, são 500 anos de opção única, sem desconsiderar alguns lapsos em meio a esses cinco séculos nos quais assomaram, por determinados períodos, alternativas pujantes como a indústria têxtil. Mas, inegavelmente, é sobre a cana-de-açúcar que a história alagoana se construiu. Construção eivada de deformações em função, principalmente, desta única alternativa como centro da economia. Ontem e hoje se luta para diversificar o perfil produtivo alagoano, com poucos resultados dignos de nota. Isto é a mais pura verdade. Mas é uma inverdade a máxima de que a simples derrocada da indústria sucroalcooleira descortinaria um novo tempo de prosperidade para Alagoas. Bem ou mal, as usinas constituem, ainda hoje, o segmento mais forte, aquele que oferece mais postos de trabalho em sua cadeia produtiva. Quando uma usina quebra, infelizmente, descobre-se que a pobreza amplia-se na área onde a finada moía. Isto é a mais pura verdade. Assim, quando se anuncia a falência de um grupo formado por várias empresas da área sucroalcooleira, dentre essas três usinas de porte, não há o que se comemorar. A situação era ruim? Sim, indubitavelmente. Mas, em se confirmando a decretação da falência desse que é um dos maiores grupos sucroalcooleiros alagoanos, a situação econômica do Estado em nada melhorará, assim como se tornará mais dura a realidade da sofrida vida dos trabalhadores de um grupo que hoje não consegue honrar o sagrado pagamento dos salários em dia. A Justiça tem suas razões. A lei é para ser cumprida e decisão judicial não se discute. Mas um justo olhar social precisa ser focado na perspectiva do possível pós-desmantelamento do grupo em tela. O horizonte, nesta hipótese, é dantesco e, até prova em contrário, muito mais dramático que a realidade dos dias em curso, tempo nos quais os fornecedores e trabalhadores, passando as maiores dificuldades, ainda se alimentam de alguma esperança. Essa esperança que vigora até hoje, quiçá ilusória, se desvanecerá, rapidamente, com a confirmação da falência. O que fazer? Nada mais que torcer para uma saída improvável.

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