Opinião
A LIBERDADE DE IMPRENSA E A DEMOCRACIA
Não há democracia sem liberdade de expressão, assim como não há imprensa livre sem a democracia plena. Os verdadeiros regimes democráticos não devem estabelecer regras para limitar ou controlar a imprensa, muito menos decidir sobre o conteúdo dos jornais, o que podem dizer ou não dizer os jornalistas. Numa democracia, os governantes e políticos em geral são eleitos pelo povo e por isso são responsáveis perante o povo pelos seus atos, portanto a sociedade quer saber das suas ações praticadas em seu nome. Aí começa o importante e fundamental papel da imprensa, que é informar as pessoas de maneira imparcial, gerando uma espécie de fórum em que essas pessoas discutam as questões que lhes são apresentadas e, a partir daí, tomem decisões. No nosso dia, sempre esbarramos em tentativas de se coibir a ação da imprensa, em geral com argumentos de que a divulgação de determinadas notícias atentam contra a segurança das instituições e até mesmo contra o direito individual, mas o que sempre deve prevalecer é o princípio universal de que as pessoas têm direito à informação. Esse ideal dever ser perseguido pela imprensa e tutelado pelo Estado. O interesse geral tem que prevalecer sobre individualidades. Notícia deveras preocupante divulgada pela BBC Brasil foi a de que o país caiu nove posições no Ranking de Liberdade de Imprensa Mundial de 2013 e agora ocupa a 108ª colocação entre 179 nações. Mas o que é surpreende é verificar que na América do Sul estamos atrás de Argentina (54ª), Chile (60º), Paraguai (90º) e Peru (105º). Segundo a organização Repórteres sem Fronteira, ?países democráticos ocupam o topo da relação: Finlândia, Holanda e Noruega, enquanto países ditatoriais ocupam as últimas posições: Turcomenistão, Coreia do Norte e Eritreia?. Essa baixa classificação significa que, no Brasil, a imprensa é parcialmente livre; precisamos alcançar a plena liberdade. É evidente que existem algumas amarras no sistema que impedem o exercício da imprensa, em todos os níveis. Mesmo após a redemocratização do Brasil, que lançou bases para a garantia da liberdade de expressão e de imprensa, ainda precisamos avançar, acompanhar a revolução tecnológica do setor. Novas mídias surgiram, o que torna imprescindível a ampliação dos canais governamentais e sua interação permanente com a sociedade. A liberdade de imprensa representa o significado central e absoluto de toda liberdade. No dia em que a imprensa não puder informar livremente, nenhuma outra liberdade estará segura.