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0 tem�vel pulo do d�lar sobre o real

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Ontem, o dólar atingiu o seu maior patamar desde 2008, ultrapassando a cotação de R$ 2,45 por cada unidade da moeda americana. Quem procura estudar mais amiúde a economia não foi pego de surpresa, pois essa tendência de crescimento está ligada, dentre outros fatores, ao fortalecimento financeiro dos Estados Unidos e tem seguido as altas determinadas pelo FED (banco central ianque) através de seus repetidos sinais de que reduzirá seus programas de estímulo monetário. Como sempre, no Brasil, o aumento do preço do dólar tem um efeito negativo na opinião pública, calejada pelo antigo sofrimento cotidiano de usar a variação da moeda americana como indexador nos tempos das inflações brabas. Nos dias em curso, essa memória inflacionária tende a reagir de forma semelhante. Além disso, ao longo dessa recente década, o processo de inclusão social em muito facilitou as viagens para o exterior e, além da classe média estar experimentando o sabor do turismo internacional, note-se que os sacoleiros foram migrando do Paraguai para Miami e a dolarização foi assumindo outra face, esta umbilicalmente ligada ao comércio de médio e pequeno portes, formal e informal. Para esses muitos brasileiros, tal alta representa uma tremenda baixa em suas expectativas de turismo e geração de renda. Na outra ponta, porém, para quem exporta, esta mesma alta importa em alegria. Como bradou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel: ?Acho ótimo!?. E essa fala foi proferida anteontem, quando a cotação era de R$ 2,41 para cada US$ 1. Em verdade, nem tanto ao mar nem tanto à terra. Embora favoreça aos exportadores, dando uma mão à indústria vinculada ao mercado exterior, as disparadas do dólar deixam para trás a maior parte dos atores da economia brasileira, desde as empresas de pequeno porte e, principalmente, a grande indústria que necessita importar bens de capital. Além do turismo e da sacolagem das pontes aéreas para Miami, lógico. Com razão, o Banco Central do Brasil está torrando uns dólares a mais para reduzir essa ascensão um tanto quanto indesejada.

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