Opinião
Aten��o total �s horas trabalhadas
Se por um lado as condições de trabalho no IML são horripilantes, por outro lado as soluções caseiras para enfrentar os problemas do órgão são um horror. A recente divulgação de que parte da jornada de trabalho dos legistas seria prestada nas próprias residências dos profissionais deixou a opinião pública estupefata. O drama dos familiares que esperam uma eternidade para a liberação dos corpos de seus entes é algo que deveria ser observado, em primeiro lugar pelas autoridades governamentais, como uma questão de prioridade máxima. Máxima prioridade é também a restauração de condições mínimas de trabalho no IML, enquanto as sonhadas novas instalações não se tornam realidade. O fato é que soluções paliativas precisam ser tentadas, sob pena de prejuízos ainda maiores para todos. Uma das questões levantadas sobre a jornada de trabalho deve ser estudada de forma mais ampla, alcançando todos os setores nos quais se pratica a modalidade plantão. Como estarão funcionando as escalas? Em quais setores, plantões de quantas horas seriam mais indicados? Os atuais modelos satisfazem os interesses dos usuários e do serviço público? O governo tem que dar respostas precisas, pois paira no ar a suspeita de que o ?plantonismo? estaria sendo abusado sob vistas grossas dos gestores. Mais ou menos como naquela máxima: ?eles fazem de conta que me pagam bem e eu faço de conta que trabalho certo?. Será verdade que se generalizou a prática de turnos ?24 horas no ar? em setores como saúde, segurança pública e fiscalização, por exemplo? Como alguém pode trabalhar portando um bisturi, ou uma arma, ou um talão de infrações por 24 horas ininterruptas? Certamente, não procedem esses boatos sobre a existência de plantões de 24 horas em delegacias e hospitais. Mas parecia boato o fato de legistas trabalharem em suas próprias residências. Às vezes, o surreal é real. Às vezes, não... De toda forma, melhor é cobrar-se dos poderes públicos e das entidades representativas uma auditoria em regra para verificação da existência de jornadas de trabalho tão indecentes quanto as condições materiais de muitas instituições públicas.