Opinião
A �gua da vida que conduz � morte
Não é sem razão que a dramática realidade do fornecimento de água em Alagoas foi um dos pontos que mais chamaram a atenção durante os debates travados, em Maceió, entre os governadores reunidos em torno da Sudene e do ministro da Integração Nacional. Como bem já foi dito por uma autoridade da área estadual da Saúde, ?Alagoas voltou ao século 19?. Talvez tenha, neste aspecto, regredido mais, pois parece que nos aproximamos perigosamente dos tempos das pragas, como a cólera, que flagelavam os povos antes da época a partir da qual o saneamento e demais cuidados com a saúde pública encarcerou essas ocorrências nos livros de história. Pois esse tempos de horror parecem ter sido tirados das covas em nosso Estado. Pelos dados divulgados pelos órgãos governamentais, cerca de 86 mil alagoanos, moradores em 25 municípios, foram castigados por uma epidemia de diarreia de gravidade, produzindo a impressionante cifra de 59 óbitos. Impossível não ser impactado por números tão terríveis. 59 mortes e 86 mil pessoas contaminadas através da água distribuída, em sua suposta maioria, por programas e/ou órgãos governamentais! Afinal, será que alguém pode crer numa contaminação do lençol freático em tamanha proporção, algo tão amplo que possa ter se espalhado por cacimbas de 25 municípios? Não há como esposar outra hipótese que não seja o vetor de contaminação a água distribuída por quem tem a responsabilidade de fazê-lo de forma segura. O mais incrível é que não se tem pista, depois de meses de espalhamento da diarreia epidêmica, das causas diretas desse desastre continuado. Há que se pedir socorro ao governo federal, isto é certo. Que a Sudene nos acuda! Mas não será que pelo menos parcelas desses agentes patológicos, nocivos à saúde humana, estejam viajando no seio de caminhões-pipa oficialmente sob a batuta de programas federais e da Sudene? Coisas para se pensar... Mesmo que, às vezes, o óbvio ululante aponta para enganos. Não se trata de condenar ninguém por antecipação. Mas o caso é de se cobrar ações urgentíssimas capazes de, no mínimo, fazer estancar essa matança. Isto é o mínimo que se pode esperar das autoridades públicas.