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Opinião

A PROP�SITO DE JARAGU�

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Não há como negar que a revitalização do bairro de Jaraguá foi uma ação extremamente importante para a própria cidade de Maceió. Caso não tivesse acontecido, certamente, tudo seria hoje um monte de ruínas. Porém, havemos de entender que nos últimos doze anos, o país inteiro foi tomado por uma onda de violência que não poupou as dragonas da Terra dos Marechais. Ao contrário, Alagoas passou a ser o pior exemplo. Entre as várias causas, certamente, não seria a falta de policiamento o primeiro vilão, mas a falta de políticas públicas, geração de emprego e renda, saúde, educação, cultura e confiança demais nos programas assistencialistas do governo federal, que mensalmente preenche o deficit do comércio regional. A revitalização de Jaraguá deveria ter incluído moradias, isenção de impostos para moradores e comerciantes, além de um trabalho social que viesse amparar a legião de crianças de rua que permeava dia e noite a vida local. Sem moradores em ruas essenciais do bairro, Jaraguá se acaba ao apagar das luzes no fim de cada expediente. O revival da boemia local pretendido foi um fracasso, não por culpa dos comerciantes que desistiram. Estes lutaram até o último instante até verem seus investimentos fracassarem. Afinal, não restou alguém que não tivesse sido assaltado, afrontado, humilhado na sua teimosia em permanecer ali. Sem a vida noturna, Jaraguá voltou a ser um centro comercial e financeiro com horário para abrir e fechar. A distribuição de entorpecentes ganhou mercado. Os usuários perambulam dia e noite como zumbis assustando a população. A Favela de Jaraguá com sua superpopulação, espremida entre casebres em lugar sujo e insalubre, é o resultado da migração que teria iniciado, possivelmente, após a construção do porto, quando o terreno veio surgir perenemente da maré alta. A aglomeração de pescadores passou a ser desde então causa de juízo e condenação. Tudo de ruim no bairro viria da favela. Dessa forma nasceu, possivelmente, no mesmo instante da revitalização a ideia da retirada. Faltaram, com certeza, coragem e vontade política para dar uma solução sem conflitos. Faltou credibilidade nos negociadores. Faltou respeito humano. Faltou visão de futuro. Outras vilas de pescadores estão vivas na Europa e são visitadas por turistas que fotografam tudo e se encantam. Esqueceram que o turismo se faz com gente e sua cultura visível e não escondida embaixo do tapete, feito sujeira. Quer salvar Jaraguá? Lute por ele.

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