Opinião
Ca�ando armas em s�tio apropriado
Fina ironia, ou ato falho, o Ônibus do Desarmamento, em seu retorno à lide do recolhimento de armas, estacionou defronte à Assembleia Legislativa. Qualquer pessoa que tenha um mínimo de atenção, e ou curiosidade, para com a história local sabe que um dos traços mais marcantes da sede do Poder Legislativo alagoano é exatamente sua longeva tradição como ninho de armas. O ponto ato dessa belicosa trajetória é o célebre tiroteio ali travado em 1957, quando milhares de tiros foram deflagrados dentro do plenário, numa incrível saraivada de balas que não causou um gigantesco número de baixas porque, preventivamente, trincheiras de sacos de areia haviam sido providenciadas no dia anterior. Não foi aquele momento trágico o único episódio no qual armas de fogo trafegaram, livres e soltas, na Casa de Tavares Bastos. Armamento de todo o tipo já circulou naqueles salões. Melhor dizendo, circulam livremente nos dias em curso, garante a crônica especializada. Mas não é a mesma coisa de há meio século, porém. Hoje, já não são apenas jagunços rústicos que acompanhariam seus comandantes parlamentares, mas a função de guarda-costas estaria confiada, em grande parte, a policiais oficialmente desviados de sua função precípua ? de garantir a segurança pública ? para o desempenho do ancestral mister de ser capanga do chefe político. Quem quer que tenha acompanhado o noticiário dos últimos anos tomou conhecimento dessa prática lamentável por anos a fio, nos últimos tempos. Parece incrível, mas... quem sabe reste a esperança de que tal prática, useira e vezeira até pouco tempo, tenha deixado completamente de existir nos dias em curso? Oremos para que esses comentários correntes e renitentes sejam boatos! O fato é que o ?ônibus do desarmamento? puxou o freio de mão e arranchou-se defronte à Assembleia, marcando presença no mesmo local onde, tempos atrás, zuniram balas sem fim. Lá está ele, sereno e impassível, como se não notasse o vai e vem de todo o tipo de amamento que por ali transita em carros oficiais. Pode ser que, desta feita, aquele veículo, ao sair daquele sítio, o faça recheado do mais moderno e leal armamento. Oremos! Afinal, hoje é dia da padroeira. Milagres acontecem.