Opinião
Ainda sobre o ponto do �nibus das armas
De costas para a Assembleia, o ?buzão do desarmamento? espera, dias a fio, o improvável contributo vindo de quem ordinariamente trafega por aquelas paragens. Uma solidão de dar pena. A ideia em si não é má, deve-se mesmo manter um ponto de coleta de armas no perímetro central da cidade e nenhuma praça, a rigor, deveria ser descartada. Mas que é muito irônico, isto é. Já dissemos antes, aqui. Mas tamanha é contradição em se estacionar aquele veículo exatamente no ninho daqueles que adquirem armas e as portam sem maiores cerimônias, que a cena inusitada merece novo comentário. A ideia em si é até boa, pois estacionar defronte à Assembleia um veículo paramentado para recolher amas, uma espécie de out door ambulante contra a violência e em campanha pelo desarmamento é, indubitavelmente, uma provocação. Pois todos os dias, enquanto o ônibus estiver fazendo ponto na Praça Pedro II estará a poucos metros dos arsenais dos ?seguranças? dos deputados. Ressalte-se que esses profissionais bem armados, em sua maioria, são integrantes das forças policiais, especialmente da PM, e que deveriam estar nas ruas, nos bairros, nas estradas, a dar segurança à população, sem distinção de posição social, nem mandato eletivo. Quantas armas serão contabilizadas ao término da temporada de estacionamento na Pedro II? Oxalá sejam muitas, afinal o perímetro é propício. Devemos torcer também para que os instrumentos recolhidos não sejam apenas velharias, várias das quais usáveis somente na condição de tacapes. Considere-se que boa parte desse acervo apanhado na Campanha do Desarmamento deveria ser doado aos museus, ao invés de destruído, pois por sua antiguidade figurariam bem em coleções sobre o passado na evolução das armas. Ao fim e ao cabo, devemos aplaudir a iniciativa. Independentemente da quantidade e da qualidade do que está sendo recolhido, aquele ônibus, pintado de cima abaixo com apelos por paz e desarmamento, passa mensagem importante, especialmente por Alagoas figurar continuadamente nas piores posições nos rankings do crime e do uso da arma de fogo. E ao ser posicionado de costas para a ALE, parece emitir uma mensagem clara e direta. A dúvida é se será ouvida por quem de direito.