loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
terça-feira, 28/07/2026 | Ano | Nº 0
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

O fantasma do apag�o voltou ao brasil?

Ouvir
Compartilhar

Além dos grandes incômodos e enormes prejuízos, o apagão que se abateu sobre o Nordeste anteontem exige que se faça a luz sobre questões instigantes acerca dessa ocorrência. Mesmo com as explicações ministeriais dando conta de que o infausto acontecimento teria como causa um incêndio ocorrido nalgum ponto do Estado do Piauí, o breu continua a pairar sobre o fato, suas origens e, principalmente, sobre os encaminhamentos que serão adotados pelas autoridades para evitar novos apagões. É explicável a tensão popular sobre a interrupção do fornecimento de energia elétrica. Afinal, o país não pode correr o risco de retroceder ao tempo brumoso dos apagões do governo Fernando Henrique Cardoso. Especialmente, é indelével a lembrança do ano de 2001, onde a recorrência dos apagões obrigou a serem operadas mudanças nos hábitos dos brasileiros. Como não podemos esquecer, aqueles dias de escuridão não se restringiram a uma ou outra região, mas alcançaram todo o Brasil. Foram impostas medidas de contenção do consumo a partir de 1º de julho de 2001, forçando o corte de 20% no consumo de quem utilizava mais de 100 quilowatts/hora por mês, além de serem aplicadas sobretaxas de 50% a mais sobre quem ultrapassasse o patamar de 200 quilowatts/hora por mês, além de outras duras medidas. Quem se esqueceu deste tempo penumbroso? Num levantamento sobre o apagão de FHC, segundo cálculo do Tribunal de Contas da União, o prejuízo causado foi de R$ 54,2 bilhões. Pelas contas do ex-ministro Delfim Netto, cada brasileiro, em função do blecaute de 2001, teria perdido R$ 320,00 em valores da época. Um desastre. Desastre que não pode se repetir agora. O governo federal tem que encarar isto como uma questão de honra. Evidentemente que muitas dúvidas afloram da interrupção de eletricidade ocorrida na quarta-feira e investigações rigorosas devem ser feitas para o completo esclarecimento do problema. Mas, principalmente, se faz necessária uma maior ousadia na política energética brasileira. O país necessita de um volume muito maior de energia elétrica, passando a apostar com mais vigor em opções de geração como a nuclear, além de ampliar os horizontes da tradicional forma hidrelétrica. E, naturalmente, investir na segurança do sistema, para evitar os efeitos de outras fogueiras como a que deixou, anteontem, o Nordeste no escuro.

Relacionadas