Opinião
Uma emenda pior que o soneto
Novamente, o mundo está na expectativa de mais uma guerra patrocinada pelas potências ocidentais, mais uma vez sob a justificativa de intervir em país alheio para ?implantar a democracia?. A Síria é a bola da vez. Verdade é que o regime sírio é centrado numa estrutura ditatorial de raiz familiar. O presidente Bashar al-Assad substituiu no poder central seu pai, Hafez al-Assad, este um prestigiado líder muçulmano de firme orientação laica, avesso aos extremismos típicos da região. Bashar, rezando na cartilha do pai e antecessor, tentou manter a Síria como país islâmico tolerante com as minorias religiosas e étnicas, inclusive garantindo espaço para os cristãos sírios; e para isto usou e abusou da mão forte. As oposições contra a política dos al-Assad cresceram muito nos últimos tempos, turbinadas por organizações radicais como Al Qaeda e Taliban, num reflexo tardio do fortalecimento desses ramos fundamentalistas em ninhos do terror como o Afeganistão e o Paquistão. Desde 2011, as forças de oposição a Bashar al-Assad não só cresceram como se armaram rapidamente, lançando o país numa guerra civil real e sanguinolenta. E nos dias em curso, um forte grupo de nações ocidentais aperta o cerco acenando com uma iminente invasão militar à Síria, com o objetivo de mudar o resultado do jogo, garantindo a vitória das tropas oposicionistas. O fato novo que precipitou essa mais recente disposição interventora foi o terrível assassinato de centenas de civis por conta de um ataque com armas químicas. A questão não é simples, porém. Em primeiro lugar, porque, como bem nota a Casa Branca, a posição a ser apoiada contra al-Assad é formada por radicais islâmicos da pior espécie, herdeiros legítimos e assumidos de Osama bin Laden, do mulá Omar e de outras figuras de triste memória. Em segundo lugar, porque, como todo mundo nota, as evidências sobre a responsabilidade desse recente horroroso crime de guerra pesa muito mais sobre os ombros dos opositores do que sobre o governo sírio. Enfim, novamente, o mundo está à beira de outra guerra tão inglória quanto sangrenta, mais uma vez ambientada no sofrido Oriente Médio. Mais um desastre no horizonte...