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Opinião

A LI��O DAS NOSSAS ESCOLAS

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Escola pública já foi sinônimo de qualidade. Os jovens que a frequentavam, até os anos 1960, aprendiam de verdade. Por outro lado, 40% das crianças estavam fora da escola. Era um Brasil pobre, rural e excludente. O quadro era dramático. A solução óbvia e urgente era universalizar a educação. O objetivo traçado foi colocar cada uma das crianças brasileiras em sala de aula. A qualidade virou um detalhe a ser tratado depois. Hoje, 97% dos jovens estão matriculados. A escolaridade média passou de 6,4 para 9,7 anos. Os benefícios dessa conquista são inquestionáveis. Mas e a qualidade, como ficou? Hoje, menos de 11% dos alunos do terceiro ano dominam os conceitos básicos de matemática. No quinto ano, não conseguem nem calcular o troco de uma compra. Aos dez anos de idade, não conseguem sequer entender o contexto de uma história em quadrinhos. Alguns pensadores argumentam que a estratégia que parecia óbvia, melhor escola ruim do que escola nenhuma, foi na verdade um tiro no pé. A teoria é que como os pais viam a simples presença dos filhos na escola como uma dádiva, já que eles não tiveram nem isso, aceitaram a má qualidade do ensino gratuito como fato. Isso diminuiu a pressão popular sobre os políticos gestores, o que levou a perpetuação do quadro. O que fazer, então? Deixar tudo como estava? Existe outro caminho. A Coreia do Sul fez as duas coisas, investiu em quantidade e qualidade ao mesmo tempo, e se tornou um país de primeiro mundo. Era possível fazer isso no Brasil? Difícil dizer, mas a China, com seus 2 bilhões de habitantes, vem fazendo e já aparece nos primeiros lugares nas provas internacionais. Finalmente, após 25 anos da criação do SUS, um governo tomou a decisão histórica de universalizar a saúde, o que a constituição de 1988 tinha feito apenas no papel. Ninguém em sã consciência pode ser favorável à manutenção da situação caótica atual. Mais uma vez, a sociedade terá que escolher entre dois caminhos. Tentar resolver tudo de uma vez, levando saúde para todos e já levando com qualidade, pode parecer o melhor caminho, mas é mais demorado, e em se tratando de saúde, tempo é vida. Uma pergunta pode nos ajudar a encontrar o caminho correto para a transformação da saúde nacional, a universalização da educação, do jeito que foi feita, foi boa ou ruim para o país?

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