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Nº 5757
Opinião

Incompet�ncia p�blica

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Por | Edição do dia 21/11/2002 - Matéria atualizada em 21/11/2002 às 00h00

LUIZ FERREIRA DA SILVA * Concluindo o tema aqui colocado em outro artigo, referente à morte anunciada do paraíso das águas, por negligência do chamado poder público, cuja solução está a exigir uma estratégia integrada de ações, enfocando a bacia hidrográfica, como o epicentro da unidade de planejamento, enumeramos a seguir outras medidas, complementando as duas anteriores explicitadas (Estudos físicos e fisiográficos e replantação das margens fluviais e de áreas degradadas). Ei-las: Saneamento básico e controle da poluição, abrangendo as cidades ribeirinhas e toda Grande Maceió, acopladas a um programa continuado de educação ambiental, envolvendo toda a população, num esforço de conscientização da sua ação de cidadã. Para tanto, há que se envolver o governo federal, o estadual e as prefeituras, bem como os empresários da indústria e da agropecuária; Desassoreamento e dragagem do nível de base do complexo estuarino lagunar Mundaú-Manguaba; Orientação na racionalidade do uso das águas, tanto para fins domésticos, como voltado à captura e criação de peixes e moluscos; Educação ambiental, envolvendo toda a sociedade, através de cursos rápidos, palestras, folders, eventos grupais e inserções nos meios de comunicação. Assim colocada a questão, é fácil entender que a solução está num esforço conjugado, com visão holística, demandando a participação de técnicos competentes, tais como: Agrônomos (Fitotecnistas e Pedólogos), engenheiros (sanitaristas e hidrólogos); sociólogos, antropologistas e educadores ambientais. De nada adiantam, como vale a pena repetir, soluções paliativas, eleitoreiras ou segmentadas. Dessa forma, ao se priorizar o binômio utilização-conservação do ecossistema, conforme as proposições discutidas, ter-se-ão ganhos (emprego, renda e qualidade de vida) para toda a sociedade (rural, ribeirinha e urbana), sejam diretamente (agricultura, aqüicultura) e, sobretudo, indiretamente, através da exploração inteligente do turismo, considerando a condição ímpar desse recurso hídrico – a interação mar-lagoas – podendo se tornar na mais importante atração em todo o Nordeste, possibilitando um amplo espectro de eventos por todo o ano. Para conscientizar o poder público, é importante sublinhar: cada real aplicado nesse projeto integrado de recuperação das bacias hídricas gera, no mínimo, cinco outros, seja pelos ganhos diretos (pesca, agricultura, turismo e serviços), seja pelos milhões que o governo deixará de aplicar na saúde, para debelar doenças de povo pobre e subdesenvolvido (cólera, difterias, dengue, verminoses, tifo, diarréias). Portanto, antes de tudo, é uma simples questão de custo/benefício, além de inteligência, competência e vontade política, sob uma visão articulada e integrada de ações, atributos estes, ao que tudo indica, inexistentes em setores governamentais que, contrariamente, têm priorizado medidas isoladas e fora de foco. (*) É ENGENHEIRO AGRÔNOMO

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