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Opinião

O ASSOCIATIVISMO CULTURAL UT�PICO

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Sonhei que vivia numa cidade onde a cultura era compreendida como um agente transformador da sociedade. Algo para se pensar coletivamente e democraticamente. Sonhei com uma distribuição de bens e serviços culturais de forma horizontal atendendo aos interesses da comunidade sem clientelismo. As políticas culturais faziam fruir ações em todos os equipamentos culturais. Havia interatividade e complementação dos interesses comuns. Os museus, os memoriais, as casas de cultura e as galerias de arte estavam abertos em horários sistemáticos e com toda a segurança podiam ser visitados pelos turistas e pela comunidade. Aliás, comunidades de todos os bairros, mesmos os mais longínquos, porque havia transporte gratuito para esta finalidade, sobretudo para as escolas públicas. Depois, havia a movimentação do turismo que fluía. Os ônibus das companhias receptivas paravam em frente aos equipamentos culturais e após a visita sempre havia alguém com outra indicação, distribuindo folders e informações que incentivava o visitante a conhecer a cidade inteira. E ninguém ficava enciumado pelo sucesso de outro, pois o sucesso era um bem coletivo da própria cidade e do próprio Estado. Curioso é que essa gestão cultural que enfocava a cidade tornava-a maior, mais atraente à medida que todos interagiam. Esta prática gerava um calendário cultural que circulava no país inteiro e até no exterior. Então, é claro que todo mundo queria participar. Mais ainda, buscando excelência em todas as ações. Fazendo da máquina cultural um meio para desenvolver a economia da cidade. O melhor de tudo isso era o envolvimento setorial destas atividades. Razão para que os eventos fossem superlativos e houvesse sempre a participação de todos com as atividades periféricas. A cidade inteira ficava envolvida e saia ganhando. Numa dimensão assim não faltavam patrocinadores, até pela mobilização geral que havia. E a arte popular nem se fala. Imagine o leitor que para tudo o que era acontecimento na cidade, havia, obrigatoriamente, (isto já era lei), verba para o cachê, transporte e alimentação de um grupo folclórico para se apresentar. A cidade se sentia orgulhosa de sua diversidade. Assim, com a celebração da diversidade numa dimensão tão ampla, ninguém se sentia minoria porque não havia discriminação de qualquer espécie. Era só um município com uma prática de cidadania fundamentada na democracia. Mas como tudo não passou de um sonho, quando acordei vi que esta cidade e este povo ainda não existiam.

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