Opinião
A fome, a mis�ria e os desperd�cios
Nos primeiros dias deste mês, divulgamos os números de uma pesquisa mostrando este país, tido como o quarto maior produtor mundial de alimentos, com uma ?produção que extrapola em 25,7% o que seria necessário para a alimentação da população?. Mas também eles nos colocam entre os países com desperdício de alimentos atingindo níveis preocupantes e pressa por ações mais abrangentes e efetivas voltadas para a erradicação das causas e efeitos da miséria e da fome. Nessa mesma matéria, trouxemos informação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), indicando que 26,3 milhões de toneladas de alimentos por ano vão parar no lixo. E, ainda, dados de estudo recente do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep), segundo os quais no mundo todo uma em cada sete pessoas vai dormir com fome, aponta que 20 mil crianças com menos de cinco anos morrem por desnutrição, anualmente. De acordo com a Secretaria de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social (Seades), até ano passado circulavam em Alagoas de 9 a 12 mil toneladas de alimentos por mês; dessas, 3% foram desperdiçadas e destinadas ao lixo. Grande parte desse desperdício ocorre em locais que trabalham diariamente com o comércio de alimentos, como feiras livres e restaurantes. E pelos cálculos dos feirantes do Mercado da Produção, em Maceió, somente aí, semanalmente, são destinados aos pontos de lixos cerca de 50 quilos de frutas e verduras. Não bastassem esses desafios mundialmente preocupantes, esses fatores que encarecerem os preços finais dos produtos, vemos Alagoas na lista dos detentores dos piores indicadores sociais, posicionado entre as três das nossas unidades federativas líderes em fome e miséria. E, agora, aparecendo com enormes e incríveis quantias do dinheiro do contribuinte gastas e previstas com serviços de buffet em eventos promovidos ou patrocinados diretamente pelo governo, como se não tivesse a maioria do povo pobre e expressiva quantidade de famílias sem meios dignos de sobrevivência. Estão com razões de sobra, portanto, os órgãos de representação de vários segmentos da sociedade, como o Sindicato dos Policiais Civis, que se manifestam preocupados com questões, como esses gastos com comidas e bebidas enquanto faltariam verbas até para os alimentos dos policiais nos plantões.