Opinião
QUANDO O COQUEIRO CAI SEM BALAN�AR
Originários do Sudeste da Ásia, os coqueirais brasileiros são insuficientes para atender à demanda nacional. Com 15% da produção mundial, portanto, o Brasil não satisfaz sua própria necessidade. Outro dado significativo: 90% dessa produção está localizada em território nordestino, com destaque para os Estados da Bahia, do Rio Grande do Norte e de Sergipe, grandes produtores nacionais. Alagoas tem sua cota de contribuição de cocos, com belíssimos coqueirais que emolduram praias ainda mais belas, e que temperam nossos atrativos turísticos ao longo de todo o litoral, de Maragogi a Piaçabuçu. ?O meu coco tem balanço, mas não cai à toa?, diz a poesia de Clemilda, a Rainha do Forró, para quem o Rei do Baião um dia tirou seu chapéu. Se os cocos não estão caindo, o pés estão morrendo com frequência cada vez maior em nosso litoral. Uma das razões reside numa derivação do turismo predatório. Em Maragogi, por exemplo, o quadro está cada vez mais grave. Crianças e adolescentes cortam diariamente as palhas mais novas do olho do coqueiro e as utilizam para produção de bugigangas. As crianças circulam diariamente pela orla até o Clube Hotel Salinas, onde os turistas se compadecem delas e trocam aqueles trançados por pequenas gorjetas. Pelas bandas de Maragogi, o segundo maior polo turístico alagoano, a coisa anda tão grave que tem muita gente enrolando coqueiros com arame farpado, tal a omissão das autoridades. É preciso fazer campanhas educativas e coibir esse ato criminoso. É possível proteger os coqueiros e, ao mesmo tempo, incentivar o talento criativo dessa moçada? Entendo que sim, desde que as famílias contribuam e os gestores públicos façam sua parte, para que a nossa orla não vire uma paisagem pintada com tinta de impunidade, mesclada com vista grossa e destruição da natureza. Em Porto Seguro, na Bahia, há uma lei municipal vigente há três anos e que serve de ferramenta para apreender as palhinhas recém-nascidas dos coqueiros e os produtos derivados delas. Não é qualquer palha: arrancam aquela mais nova e flexível, do olho da planta, pois ela é a melhor para trançar. Ao tirá-la, fere de morte o desenvolvimento do coqueiro. A lei é um exemplo para se mirar, mas não é suficiente. Criança é para brincar, estudar e praticar esporte. Eis a razão pela qual a ação exige um trabalho educativo e coercitivo, e de forma integrada por órgãos de diversas esferas de poder. Senão, caem os cocos, os coqueiros e a beleza do nosso litoral ? sem precisa balançar.