Opinião
Mensal�o e as novas expectativas
Após o único voto proferido na sessão de ontem do Supremo Tribunal Federal (STF), o do ministro decano Celso de Melo, desempatando a votação favoravelmente aos embargos infringentes, a nação inteira passa a conviver com o sequenciamento da polêmica acerca do caso do mensalão e do novo julgamento de parte dos 25 condenados nos crimes de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro pela instituição. O resultado de 6 a 5 já era esperado por expressiva quantidade de pessoas esclarecidas, incluindo veteranos especialistas em leis, em declarações sobre o assunto pelos meios de comunicação de massa nos últimos dias. Como disse o mesmo ministro, na sessão que encerrou o debate depois do adiamento na semana passada, o STF é um tribunal de princípios que respeita os princípios que a Constituição consagrou em seu texto. Que continue assim! A decisão do decano entre os magistrados da corte suprema do país, adicionada às de outros colegas no sentido da possibilidade dos embargos infringentes, e respeitando a divergência, mesmo sem coincidência com as afirmativas e expectativas de outras parcelas da nossa população, as esperanças do povo brasileiro, maiores nos últimos anos em relação a esta e demais instituições do Poder Judiciário, não deixarão de ser mantidas. Ainda mais, em ocasiões como agora, quando o país inteiro também acompanha as discussões e os preparativos com vistas às novas eleições gerais que acontecerão daqui a poucos meses. Os movimentos promovidos pelos mais diversos organismos da sociedade civil organizada, nas ruas e nos recintos fechados, reforçados com as mobilizações registradas a partir de junho último, nas lutas por melhorias dos serviços públicos e das condutas dos políticos, pelo fortalecimento da democracia e contra todas as práticas de procedimentos ilegais, são cada vez mais necessários. Sobretudo, quando há envolvimento do dinheiro público.