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Opinião

Os dados preocupantes sobre as drogas

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Vários detalhes, por demais preocupantes, foram evidenciados com o estudo Perfil dos Usuários de Crack e/ou Similares no Brasil, cujas constatações acabam de ser divulgadas. Encomendado pela Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (Senad) à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ele revela as principais características epidemiológicas dos usuários de crack e outras formas de cocaína fumada ? pasta-base, merla e oxi. Inclusive, foi noticiado que a contaminação pelo vírus HIV entre os usuários de crack no Brasil é oito vezes maior do que na população em geral. Enquanto no grupo das pessoas que consomem regularmente esse tipo de droga ilícita a prevalência é 5%, no conjunto da população brasileira é 0,6%. A nossa deplorável realidade mostrada através destes e de outros dados entristecedores terá as primeiras significativas soluções no país, agora contemplado com o estudo considerado como o mais completo sobre o assunto no mundo, se promessas e projetos e até antigas intenções forem executados. De verdade. Para isto, as instituições públicas, da iniciativa privada e, por extensão, tanto as comunidades tradicionalmente mais carentes quanto as prósperas, podem contar, só não contam se não quiserem, com estudos de sobra, com indicadores que de há muito tempo deveriam começar a ser usados de maneira mais abrangente para o aprimoramento da legislação específica e as devidas ações educativas e preventivas. Citamos, como exemplo, os que constam de outro estudo, mais antigo, o da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), publicado em 2011 como inédito na literatura médica internacional e que mostra os usuários de crack com mais tempo presos do que em tratamento contra a droga. Como foi noticiado na época, a pesquisa da Unifesp acompanhou, por 12 anos, 107 dependentes e indicou que, nesse período, em média, os usuários ficaram presos por um ano e oito meses e permaneceram em tratamento, em média, por três meses. A coordenadora e responsável pelo mesmo levantamento questionou a política repressiva voltada para os usuários, ?quando a questão deveria ser tratada como um problema de saúde pública?. Constatou-se, ainda, que, após 12 anos, 29% dos usuários estudados estavam abstinentes, sem usar a droga há cinco anos ou mais; 20% relataram períodos de consumo alternados com períodos de abstinência; e 13% mantiveram o consumo de crack por mais de uma década, com uso mais controlado e em menores quantidades e frequência. E, ainda, que há fatores comuns que fizeram com que dependentes conseguissem se afastar do consumo do crack, como a procura por tratamento, a religião, a inserção no mercado de trabalho, o fato de entrar em uma faculdade, a gravidez, encontrar uma namorada ou se casar.

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