Opinião
A JUSTI�A DE LUTO
A Justiça brasileira está de luto. Neste momento, canções fúnebres são entoadas em todos os quadrantes nacionais, onde quer que haja o mínimo grau de civilização. Se não bastassem os votos dos ministros Luiz Roberto Barroso, Teori Zavascki e Rosa Weber, que fizeram gratidão as suas razões de decidir; não bastassem os votos dos ministros Ricardo Lewandowisk e Dias Toffoli, que foram parciais desde o início, o ministro Celso de Mello terminou acendendo velas em derredor do cadáver que se chamava esperança no que diz respeito à Ação Penal apelidada de mensalão. Seu voto foi o coroamento da impunidade que tanto mal tem feito ao Brasil, algumas vezes por culpa da própria Justiça, como se deu agora. O que acabamos de presenciar com a acolhida dos embargos infringentes por parte do STF traduz-se em um verdadeiro salvo-conduto em favor da corrupção. Muita gente acreditava que o ministro Celso de Mello tivesse mais respeito à sociedade, aos clamores das ruas. O que se viu foi o ministro espumando ao proferir o seu voto como se estivesse a expelir a verrina da sua revolta contra a sociedade. A propósito da personalidade do ministro Celso de Mello, permito-me recorrer a uma fato que é definidor da sua ?independência? no ato de julgar. Saulo Ramos era Consultor Geral da República e tinha Celso de Mello como secretário do órgão, ocasião em que indicou seu nome ao presidente José Sarney para o cargo de ministro do STF. Tendo sido judicializada uma questão ligada ao domicílio eleitoral de Sarney, o mesmo obteve êxito no STF, tendo o ministro Celso de Mello votado para a sua cassação, depois de haver prometido votar a seu favor ? que já foi um erro. Por telefone, tentou justificar a sua falta de compromisso ao padrinho de sua nomeação: ? É que a Folha de S.Paulo noticiou que o presidente Sarney tinha os votos certos dos ministros que enumerou e citou o meu nome como um deles. Quando chegou a minha vez de votar, o presidente já estava vitorioso. Votei contra para desmentir a Folha. Se meu voto fosse decisivo eu teria votado a favor do presidente. Saulo Ramos não acreditou no que estava ouvindo: ? Você votou contra o Sarney porque a Folha noticiou que você votaria a favor? Celso de Mello respondeu afirmativamente e disse: o senhor entendeu?