Opinião
A INCR�VEL PERSONALIDADE DA CHANCELER ALEM�!
A atenção do mundo, nos últimos dias, esteve voltada para a reeleição ao terceiro mandato, da chanceler alemã Ângela Merkel. Política de atitudes cautelosas e extremo consenso vinha enfrentando a terrível crise econômica que abalou a zona do euro no continente europeu, com extrema sabedoria. A Alemanha que se tornou, depois da queda do Muro de Berlim em 1989, a maior economia da Europa, servia de pêndulo para os outros países afetados por essa séria contingência financeira. Foi, portanto, com grande satisfação que a maioria dos europeus recebeu o resultado confirmando a ampla vitória de Ângela Merkel da CDU, na eleição de domingo para um novo mandato, afastando do cenário político seus oponentes e impedindo que o um partido nacionalista nascesse à sua direita. Sua vitória foi tão abrangente que deixou fora do parlamento seus opositores. Ângela Merkel nasceu em Hamburgo, na Alemanha Ocidental. Seu pai era um pastor luterano e seu papel na igreja teve grande influência em sua vida. Sua infância foi marcada também pela Guerra Fria. Ainda criança, foi viver com a família em Templin, do lado Oriental. Seu pai era socialista e costumava reunir partidários em sua igreja e em torno de sua mesa de jantar. Ângela foi criada com rigor e a ser reservada, discreta para não chamar a atenção da Stasi, a polícia secreta da Alemanha. As pessoas da Alemanha Oriental eram acometidas de um receio doentio de falar e Merkel foi dominada por esse mal que só passou em 1989 com a queda do Muro. Com 35 anos, formada em Química Quântica, ela começou a se destacar na política. Não era vaidosa: parecia uma típica cientista. Para surpresa de muitos, a mulher que crescera sob o domínio comunista, decidiu se filiar ao partido predominantemente masculino e patriarcal, partido União Democrata Cristã (CDU), maior partido da Alemanha. No final dos anos 1990, se tornou membro do Parlamento. Como seu estilo correspondesse ao desejo do então Helmut Kohl, que desejava alguém do Leste, que fosse discreto para seu gabinete ministerial pós-unificação, Ângela Merkel foi a escolhida. Começou como ministra para temas femininos, mas, depois, passou a ministra do Meio Ambiente. E assim foi escalando a política. Em 1999, a discreta jovem de Templin surpreendeu a todos. Tornou-se público que Kohl havia desviado as doações de um fundo secreto usado para aliados. Merkel foi a única a confrontá-lo e denunciá-lo na mídia. Daí em diante, alcançou voos mais altos.