Opinião
FOME E SEDE DE JUSTI�A
Há poucos dias, o Brasil parou mais uma vez para acompanhar o processo de julgamento do caso ?Mensalão?. Dessa vez, era julgada a aceitação ou não dos embargos infringentes. Diante da decisão de aceitação desse recurso e a revisão dos processos, ou novo julgamento como dizem alguns, manifestações de desaprovação já ocorrem. A imprensa, de forma geral, e as redes sociais expressam a indignação pela decisão e muitos já afirmam que o cheiro de ?pizza? está inundando o tribunal do STF. Ouve-se um clamor geral pedindo justiça. Pedimos por justiça e isso não está errado. Mas, e se Deus fosse nos cobrar pelas nossas ações e nos tratar pela medida da sua justiça? Lutero fala exaustivamente sobre a justiça de Deus. Ele a enxerga sob dois ângulos que, grosso modo, podem ser expressos assim: teríamos a justiça exigida pela lei, que nós não podemos satisfazer. Essa é a justiça julgadora do Deus irado. Por outro lado, temos a justiça imputada (atribuída) de Cristo a nós, aquela que nos faz justos diante de Deus. Essa é a justiça justificadora do Deus reconciliado. Afinal, como afirma o apóstolo Paulo, nós fomos justificados em nome do Senhor (1 Coríntios 6.11). O teólogo alemão Paul Althaus, em seu livro A teologia de Martinho Lutero, resume bem essa ideia da justiça justificante: ?A justiça de Cristo é imputada ao pecador. Deus olha para o pecador como um com Cristo. Ele perdoa seus pecados e considera o pecador justo por amor a Cristo. Assim, a justiça dada ao pecador não é sua própria, produzida por ele próprio, mas uma justiça ?alheia?, que pertence a Jesus Cristo. Justiça não é uma qualidade da pessoa, como [afirma] a filosofia; antes, consiste em ser justo somente pela graciosa imputação da justiça de Cristo, isto é, ela é uma justiça de ?fora? da pessoa. A pessoa não pode produzi-la, só pode permitir que ela lhe seja dada pela livre graça da vontade de Cristo?. ?E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado, porque o justo viverá pela fé? (Gálatas 3.11). Essa é a justiça que salva e livra da morte. Justiça que mostra que Deus é um Deus justo, mas se derrama em misericórdia. Porque em Cristo temos um Deus gracioso que providenciou todo necessário para nos justificar, pois sabia que sozinhos não conseguiríamos. Como afirma Jesus, no Sermão da Montanha: ?Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos? (Mateus 5.6). Não da justiça falha e controversa dos homens, mas da justiça de Deus que nos é dada em Cristo.