Opinião
A HEROICA RESIST�NCIA DOS JORNAIS
O primeiro jornal independente do Brasil, o Correio Braziliense, surgiu em Londres em 1822, criado por um exilado, Hipólito da Costa, de onde era enviado para o Brasil em porão de navio, em viagem que durava pelo menos um mês. Aproximadamente, o mesmo tempo que o primeiro jornal da História, o Acta Diurna Romana, criado por Julio Cesar, 60 anos antes de Cristo, levava de Roma para a Gália, em lombo de cavalo. Com Gutemberg na Idade Média, os jornais se popularizaram e é de se imaginar como os jornalistas e os donos de jornais esquentaram as cabeças há quase um século, quando surgiu o rádio. Um em cada dois adultos norte-americanos lia jornais pelo menos uma vez ao dia. A Era de Ouro dos Jornais estava no auge. O rádio levou não só muitos leitores, como parte dos jornalistas, aqueles com uma voz um pouquinho melhor, para suas escutas e emissões. Foi o primeiro grande golpe na venda de jornais. Outro golpe duríssimo veio com a televisão em 1950. A mídia passava não só pela voz, como pela imagem ao vivo. A hegemonia dos jornais como principal ferramenta de mídia estava seriamente ameaçada. O ingrato século 20 trouxe uma concorrência ainda maior: a internet. Veloz e barata, popularizou e disseminou a possibilidade de expressão e comunicação, o que trouxe também muita porcaria para a mídia. Embora ainda não tenha desbancado a televisão, a internet é a mídia que mais cresce no mundo, seja para o bem ou para o mal. Pessoalmente, sou da geração apreciadora do Jornal do Brasil, da Folha e do gostoso Pasquim, do qual tenho algumas reimpressões em capa dura, que quando a saudade ataca, recorro a elas com deleite. Não curto as mídias sociais. Tenho outras prioridades e gosto do papel na mão, assim também como gosto de livro impresso. A Gazeta de Alagoas foi criada em 1934 por Luiz Silveira. Na década de 40, com menos de 200 exemplares vendidos, quase fecha: um de seus mais brilhantes jornalistas assumiu a empresa, que, com o tempo, compôs com outros veículos de comunicação a Organização Arnon de Mello, justa homenagem àquele que viabilizou a Gazeta, o mais importante jornal alagoano, o qual, a exemplo de outros heroicos resistentes, propicia ? com seu amplo espaço para o debate, a interpretação e o aprofundamento dos fatos ? a oportunidade para que os jornais continuem vivos e influentes nas vidas de todos nós.