Opinião
SENSACIONALISMO
Depois de passado o boom das veiculações feitas pela mídia acerca das colocações do papa, constata-se o quanto as palavras podem ser distorcidas e verifica-se como o sensacionalismo é ?a pauta mais importante? no que se refere ao ?fazer notícia?. Sou graduado em jornalismo pela Ufal, feito este alcançado antes de entrar no seminário para ser padre, e lembro-me do juramento no dia da colação de grau. A ética sempre foi norte na minha vida, e de forma mais intensa depois que me tornei cristão. Tenho princípios, e isto levo para todas as áreas em que atuo. Contudo, constato algo diferente em muitos comunicólogos. No âmbito profissional, é notório o quanto os valores éticos ficam subjugados a interesses não honrosos. Neutralidade? Imparcialidade? Transmitir a notícia tal qual ela é? É somente um desafio? Utopia para quem tem o dever de informar? Quando o papa emérito Bento XVI concedeu uma entrevista para o jornalista Peter Seewald, valendo-lhe a publicação de um livro, a má interpretação logo aconteceu. Afirmaram que o papa havia liberado a camisinha! ?Li o livro e, engraçado, não encontrei essa colocação! Texto fora do contexto. E eu ainda tive que explicar o que aconteceu para tantos, que não têm a capacidade de se aprofundar nos fatos, formados somente pela indústria cultural! Mal terminou a Jornada Mundial da Juventude, e nosso papa Francisco teve também suas palavras deturpadas ao conceder uma entrevista a jornalistas no voo de retorno a Roma. Recentemente, em outra entrevista, desta vez para o padre Antonio Spadaro, diretor da revista Civilta Cattolica, tocou em assuntos polêmicos como aborto e homossexualidade. Qual o resultado? Uma entrevista de 6 horas de duração, com 27 páginas, com quase 11 mil palavras, teve somente umas 70 reproduzidas na mídia internacional, tiradas de seu contexto. Apresentaram o santo padre como oposto à luta pró-vida e pró-família! Pergunto ao leitor se ele chegou a ter acesso à fala completa do sumo pontífice nas entrevistas. Há uma diferença entre o que ele disse, do que dizem que ele disse. Nosso papa tem uma linguagem clara e acessível, extremamente fácil de ser entendida. Basta ir à fonte. Triste sensacionalismo!