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Opinião

OLHO POR OLHO, DENTE POR DENTE

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Pode parecer mesquinha essa atitude mas não é. Considerando a situação de desmando e desrespeito que impera nos dias de hoje, talvez essa seja a forma mais eficiente de educar. Chegamos ao ponto em que a teoria, por si só, não é suficiente para formar uma personalidade, dentro dos conceitos de ética e dignidade necessárias e obrigatórias ao ser humano.

As mudanças ocorrem com tanta velocidade e rapidez que não há tempo suficiente para analisar causas e efeitos ou, sequer, para absorver explicações na tentativa de justificá-las. Sentir na pele as consequências de seus atos é o mesmo que puxar as rédeas de um cavalo, forçando-o a parar ou reduzir prontamente sua marcha. Às vezes, torna-se necessário utilizar parâmetros, até certo ponto, estranhos para justificar determinadas atitudes. A automação das ações do homem nesses novos tempos, força-nos a compará-los aos animais, pela irracionalidade de certos atos, para os quais não encontramos fundamentos plausíveis. Tornou-se comum o caos, nos dias de hoje, onde o agir, muitas vezes sem pensar, sem entender o porquê, encontra respaldo legal; onde instituições que deveriam ser o amparo da lei e da ordem estão desgastadas e desacreditadas, enfraquecidas para exercer suas funções. Onde estão os nossos valores verdadeiros? Por onde andam respeito, dignidade, verdade? Que bom que estamos tendo bastante tempo para parar e refletir. A possibilidade de retomarmos o caminho certo depende unicamente de nós, afinal, ainda somos senhores de nós mesmos, responsáveis por nossos atos e omissões. Será que o mundo que estávamos preparando para os que viriam depois é aquele que desejaríamos que estivesse sendo construído para nós? Se a resposta for sim, estamos no caminho certo, entretanto, tenho plena convicção de que a resposta será não, a direção é outra e ainda há tempo para retomarmos o caminho certo onde a ferramenta a ser usada é simples, a razão. Parar para refletir, pensar e acima de tudo ponderar e decidir são etapas do processo que deverão ser cumpridas na íntegra. A máquina executa mas o ser humano é aquele que pensa antes de executar pois, apenas ele é capaz de responder pelos seus atos. Daí concluirmos que faz falta um puxãozinho de orelha na hora certa, para ajustar o excesso e o mau uso da liberdade de uma forma geral. Quem da nossa época não levou um discreto beliscão ou um, um pouco mais ousado, puxão de orelha? Na educação “moderna” é proibido e pode trazer sérias consequências mas, com certeza, consertou muita gente. A liberdade é o nosso maior bem assim temos que saber fazer uso dela e principalmente, entender a distinção entre liberdade e libertinagem. É de fundamental importância saber o que é liberdade, qual a sua dimensão e até onde ela pode ser exercida por cada um de nós, sem que interfira na do outro. E retornamos ao ponto de partida. Se a velocidade imposta pela vida moderna nos impulsionava para ações imediatistas, intempestivas e irracionais, tivemos a grande chance dada por esta pandemia. O mundo inteiro parou e encontramos e aprendemos a usar o que já não tínhamos, o tempo. Reaprendemos a entender o que realmente é importante, o que faz sentido, pensar com objetividade, racionalidade, saber dimensionar o espaço individual e coletivo, valorizar a vida e conhecer verdadeiramente os outros e a nós mesmos. Hoje somos todos operários de uma grande obra, um novo mundo. Será um trabalho de formiguinha e temos consciência de que todos, indiscriminadamente, somos formigas e iremos, olho por olho, dente por dente, construir essa nova etapa da história.

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