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Desfa�atez fant�stica e aposta na impunidade

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Não poderia ser mais constrangedor. A detalhada reportagem veiculada no Fantástico, transmitida para todo o Brasil, desnuda um escândalo de grandes proporções praticado em Alagoas. E o pior, um desplante continuado, perenizado anos a fio. Uma vergonha. Em resumo, a equipe de jornalismo do Fantástico trabalhou sobre fatos (que toda Alagoas sabe há anos) e expôs um esquema que teria desviado algo como R$ 70 milhões ao longo de quatro anos de falcatruas. São estimados 100 mil depósitos suspeitos direcionados a contas de pessoas inscritas nas folhas de pagamento da Casa de Tavares Bastos. Vergonha maior por ser uma malversação endêmica, cujo momento anterior de desmoralização aguda se deu há seis anos, quando a Polícia Federal deflagrou, no dia 6 de dezembro de 2007, a tristemente famosa Operação Taturana. Quem se esqueceu da Operação Taturana? Certamente, a Assembleia Legislativa de Alagoas não mais tem nenhuma lembrança daquele episódio. E, sem qualquer pejo, parece repetir a dose. Para ajudar a memória cidadã, vai aqui um resumo: 15 dos 27 deputados estaduais de então foram indiciados sob a acusação de envolvimento num desvio de recursos estimado em cerca de R$ 300 milhões. A arapuca teria funcionado durante cinco anos e rendeu a prisão de 10 deputados. Um processo inédito movido pela Justiça alagoana chegou a suspender o mandato de nove parlamentares envolvidos no esquema. Seis anos depois, a cena se repete. Talvez com variações de procedimentos, mas com resultados semelhantes: o escancarado sangramento dos recursos públicos através de vigarices elementares, mais das vezes praticadas com a rusticidade típica dos que têm certeza da impunidade. Por falar em impunidade, qual o resultado da Operação Taturana? Alguém se arrisca a apostar que, desta vez, o crime denunciado pela Rede Globo será apurado e os responsáveis punidos? Este é o maior dos escândalos: a impunidade alimentando a desfaçatez. Frente a esta fantástica falta de compostura, resta à cidadania a persistência da mídia em investigar e denunciar a recorrência destas armações. Um dia, mais cedo ou mais tarde, a casa (dos que se acham eternamente impunes) cai.

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