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Opinião

O desplante de n�o se temer o rid�culo

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Poderia ser tragicômico, não fosse a parcela trágica muito mais acentuada que a comicidade que transborda do ato de demissão da funcionária Joana D?Arc de suas funções (?) na Assembleia Legislativa. Quais os objetivos da Mesa Diretora da Casa de Tavares Bastos quando da tomada de tamanho despautério? Logicamente que a citada funcionária precisa responder por sua participação no esquema denunciado pelo Fantástico, mas é evidente que não teria sido ela própria a responsável pela autorização de tantos pagamentos em benefício de sua conta bancária. Ou será que ela, ou outrem de seu nível de atribuições, logrou construir um acesso direto, e imperceptível, a funções específicas do comando administrativo do Poder Legislativo alagoano? Pode ser que um inquérito competente e minucioso, para a surpresa de todos, possa contrapor algum resultado distinto do óbvio, ou seja, que outra pessoa (ou pessoas) devidamente qualificada para tal, tenha tomado essa decisão ilegal e a encaminhado durante meses a fio. A hipótese que estapeia a opinião pública tem a força dos fatos e aponta para a manutenção, pura e simples, do mesmo tipo de falcatrua identificada pela Operação Taturana. Cabe à Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Alagoas a tomada de uma posição séria, responsável, digna de quem considera ? mesmo vagamente ? a necessidade do personagem público dar respostas à opinião pública. A atitude de afastar uma das pessoas envolvidas, da forma como se apresenta atualmente à sociedade, é pueril. Ridícula, em verdade. Que todos (e não apenas um) vinculados ao escândalo sejam afastados como primeiro passo, tudo bem. Mas a passada seguinte precisaria ser anunciada simultaneamente, na forma de um rigoroso e transparente processo de investigação interna, desencadeado a partir da apuração das responsabilidades dos próprios integrantes da Mesa Diretora. À cidadania não pode ser oferecido nada menos que uma investigação principiada por quem, de fato, assina as decisões (e os cheques) que dizem respeito ao golpe ora descoberto contra o dinheiro público enviado (em excesso, evidentemente) ao Poder Legislativo.

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