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Opinião

SOMENTE PELA GRA�A

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Iniciamos o mês de outubro que é o mês da Reforma Protestante. Nas próximas semanas, exporei alguns artigos sobre pontos fundamentais do movimento reformatório. Mais que fazer um acompanhamento histórico ou apologético, me proponho a deixar o próprio Martinho Lutero falar. Afinal, quem melhor que ele para tratar do tema? Acredito que vocês saibam do 31 de outubro de 1517, quando Lutero afixou à porta do Castelo de Wittenberg seu panfleto: ?Debate para o Esclarecimento do Valor das Indulgências?, mais conhecido com as 95 teses. As as ideias centrais dessas teses foram apresentadas, pelo próprio Lutero, no seu sermão: ?Um Sermão sobre a Indulgência e a Graça? proferido pouco tempo depois. Numa linguagem bem mais acessível e de forma bem contundente, ele afirma ?que não se pode provar, a partir da Escritura, que a justiça divina deseja ou exige do pecador qualquer pena ou satisfação, mas, sim, unicamente sua contrição e conversão sincera e verdadeira, com o propósito de, doravante, carregar a cruz de Cristo e praticar as obras [do amor cristão] acima mencionadas (mesmo que não estejam prescritas por ninguém)?. Aqui, Lutero confronta seus ouvintes com uma realidade obscurecida naquele tempo e muito mal-entendida em nosso tempo: o Deus misericordioso, que já não está irado, e ao qual servimos por amor e não mais pela coação da Lei. O Deus reconciliado que nos perdoa de graça e por graça, por meio de Jesus Cristo. Mais à frente, ele reafirma essa verdade e chama à confiança no perdão que é certo para aquele que crê: ?Incorre em grave erro quem pretende fazer satisfação por seus pecados, pois Deus os perdoa a toda hora grátis, por graça inestimável, e nada deseja em troca senão que doravante se leve uma vida boa. A cristandade, esta sim, faz exigências; portanto, ela também pode e deve dispensar delas e não impor nada pesado ou insuportável?. Quem quer conquistar o perdão de Deus, esquece-se que Cristo já obteve perdão para todos pela sua morte na cruz e quer colocar-se acima de Cristo, ele que é o único mediador entre Deus e os homens. Aqui também é visto a ?alfinetada? que Lutero dá na Igreja da época, que se entendia como mediadora entre Deus e os homens e que, com suas exigências sem fundamento bíblico, apenas trazia desespero a pessoas crentes, mas inseguras. Por fim, que possamos viver e reconhecer a graça de Deus, que é nossa em Cristo, como a fonte de perdão e de vida e não aquilo que fazemos. Em Cristo, temos um Deus gracioso. Amém.

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