Opinião
O sustent�vel peso da lei � para todos
Como se sabe, encerra-se depois de amanhã o prazo para registros de novos partidos ? que visem concorrer, com suas novas siglas, nas eleições do ano que vem. Como era de se esperar, intensifica-se o corre-corre dos candidatos a estrearem agremiações novinhas em folha já no pleito de 2014. A quase totalidade desses pretendentes é tratada com desdém pela chamada ?grande mídia?, mas um dos postulantes é ajeitado com carinho desmesurado, alimentado a pão de ló e afagado em sua pressa tão eleitoreira como os demais ? como se fosse a única exceção honrada dentre uma chusma de oportunistas. O foco de tamanho bem-querer atende pelo nome de Rede Sustentabilidade, RS, tal qual o dígrafo usado nas redes sociais para identificar um sorriso, mais das vezes sarcástico. Pois a situação aparenta mais ironia e sarcasmo que possa supor nossa vã filosofia. Em primeiro lugar porque, ao contrário do que alardeia, os interesses da pretendida Rede são idênticos aos demais: disputar as eleições de 2014. E nada de antiético, ou incongruente, existe nesta pretensão. Por que não assumi-la abertamente, como as outras siglas candidatas à legalidade? Sob qual critério ético mobilizam-se os apoiadores da Rede para reivindicar do TSE e do STF a atitude de fechar os olhos para o fato inequívoco de ? até poucos dias atrás ? não terem logrado êxito em reunir o número mínimo de assinaturas exigido por Lei? O fato é que não foi validada a maioria das assinaturas apresentadas por seus militantes enredados. Na contagem decisiva realizada pelo TSE, em agosto deste ano, foram reconhecidas apenas 102 mil rubricas do montante de 867 mil nomes apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral. Desde então, tem sido exercitado um gigantesco malabarismo verbal para contornar o vocábulo ?falsas? para milhares de assinaturas coletadas. Ao fim e ao cabo, restam dois dias para que a ?rede? seja lançada com um mínimo de ?sustentabilidade? para que possa cumprir seu desiderato, que, sem favor nenhum, é igual aos demais pretendentes a novas siglas: disputar as eleições de 2014. Desde que a lei seja cumprida, lógico. Ou que se locupletem todos, como diria Stanislaw Ponte Preta.