Opinião
O SABI� E A J�LIA
No frio início de primavera paulista muito se debate sobre a inconveniência dos sabiás que ainda pululam em suas frondosas e robustas árvores. É que o sabiá-laranjeira, ave canora nativa da região, tem o hábito de começar a cantar às duas horas da manhã,quando o macho dá suas aulas aos filhotes, lição que vai geralmente até as cinco da matina. Muitos paulistanos ficam estressados e insones com a cantoria. Na selva política nacional, o alvoroço do troca-troca de partidos, contemplava um obscuro vereador de Goiás, eleito com 807 votos e concedia-lhe um partido político, o PROS, que ligeirinho agregava mais de 20 deputados. Ad latere, Marina Silva, com a representatividade de quase 20 milhões de votos, não conseguia registrar a Rede, para deleite do Planalto. Nessa mesma selva, Lula voltava a ser o centro das atenções; declarando-se uma ?metamorfose ambulante?, agia como se não houvesse limites, nem passado, nem futuro: admitiu que teria mais ?critério? na escolha dos ministros do Supremo, em clara alusão que os teria escolhido na suposição de que seriam mais condescendentes no julgamento do mensalão; culpou o PT por ter ?jogado fora? a aliança com Eduardo Campos, quando foi ele quem avalizou a quebra da aliança com o PSB para a eleição da Prefeitura do Recife em 2012, e, em evento da OAB, que comemorava os 25 anos da Constituição, sem constrangimentos, bradou que o modelo proposto então pelo PT tornaria o ?País ingovernável?. Nesse cenário desalentador, felizmente, para mim e um diminuto grupo de alagoanos, florescia e renovava-se a esperança: em uma maternidade paulista, na manhã fria de sábado passado, 28, nascia forte e saudável, a Júlia. Pela ampla vidraça do berçário, os avós e tios, emocionadíssimos, contemplavam o pai, Marcel Davi, dar o primeiro banho em sua primeira filha, que em seguida, agasalhada, deu sua primeira mamada na mãe, a Fernanda. Que a Júlia possa ser como os sabiás, que nunca abandonam o seu ninho. São fiéis aos seus filhotes. Entre milhares, cada um tem o seu inconfundível canto. Em época tão desprovida de discernimento e ética, que ela possa, como seus país, alagoanos que dura e bravamente venceram em São Paulo, e tantos outros brasileiros, sobreviver pura e dignamente, como os insubstituíveis sabiás.