Opinião
PRESEN�A FEDERAL EM ALAGOAS
?A perda de dinamismo da economia alagoana fica mais evidente quando se amplia o escopo de análise numa comparação simples de participação do PIB per capita do Estado nos demais estados nordestinos?. A afirmação é do professor da Ufal, Fábio Guedes Gomes, doutor em Economia, num circunstanciado ensaio publicado em edição recente da Revista Econômica do Banco do Nordeste do Brasil. Ainda em suas reflexões, recheadas de dados estatísticos sobre indicadores socioeconômicos dos últimos anos, referentes aos estados do Nordeste, o professor reitera seu ponto de vista sobre o quadro local: ?O desempenho da economia alagoana, portanto, significa um caso típico de involução econômica ao nível de baixa produtividade do sistema econômico?. Pela relevância do estudo do professor Fábio, eu destaco ainda outro trecho do que foi publicado na revista do BNB: ?Com todos esses problemas, ainda não se pode contar com um sistema de governança (instituições) adequado para os desafios que exigem as mudanças estruturais e aperfeiçoamento, com inovação e criatividade, da prática de políticas públicas?. Essa produção acadêmica ganha ainda mais importância à medida que vem cientificamente alicerçar a afirmativa segundo a qual os eventuais progressos observados na conjuntura estadual são decorrentes do desempenho da economia nacional. Em seu livro Economia Popular, uma via de modernização para Alagoas, o professor da Ufal, Cícero Péricles de Carvalho, também doutor em Economia, expõe dados elucidativos. Um terço do PIB estadual, segundo o professor, procede das políticas sociais permanentes e das transferências federais. Até este mês de setembro, por exemplo, o Bolsa Família contemplou 433 mil alagoanos, somando uma expressiva injeção mensal de recursos da ordem de R$ 68 milhões. São mais de R$ 800 milhões ao ano em favor daqueles que mais precisam. E ainda há tucano que vira o bico, trata o Bolsa Família como esmola e tem dificuldade de reconhecer a extensão social desse programa. Não estou aqui mencionando outras ações federais que proporcionam renda mínima, que ajudam a combater o quadro de exclusão e a formar a chamada nova classe média alagoana e brasileira. Nesse processo de federalização das ações em Alagoas, outro destaque especial: mais de um milhão de crianças e jovens, em sua imensa maioria e em todos os níveis educacionais, são beneficiários das parcerias firmadas por Brasília. Essa presença federal em nossa terra ganha ainda mais importância pelo fato de o atual governo do Estado ter prevaricado, ter faltado com o dever de sintonizar o processo de crescimento local com o ritmo e as ações empreendidas pela União, a partir da gestão do presidente Lula. Basta citar o trágico resultado obtido pelo governo do Estado em três áreas estratégicas e de imensurável valia para todos: saúde, educação e segurança. Os dados oficiais nesses três setores demonstram verdadeiro crime de gestão contra a sociedade. No caso da segurança pública, há um número macabro exposto na mesa do governador: em seus sete anos de gestão, mais de 14 mil seres humanos foram assassinados em Alagoas. É triste comparar, mas essa matança se assemelha ao saldo da guerra de 12 anos lá no Afeganistão. O caminho, portanto, para Alagoas destravar e solucionar seus graves problemas é o fortalecimento cada vez maior da aliança com o governo federal, a fim de que os investimentos sociais e as obras estruturantes estejam cada vez mais presentes. Há um povo trabalhador e potencialidades naturais invejadas até por outros estados. Mas, aquele que se diz gestor estadual precisa fazer sua parte e a sociedade alagoana deve acompanhar e cobrar muito mais trabalho e resultado. À bancada alagoana em Brasília, cabe manter foco e ação unitária para viabilizar novos investimentos e consagrá-los por emendas ao Orçamento da União. Faço questão de prosseguir ofertando minha contribuição parlamentar a essa equação em que Alagoas dá certo.