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Opinião

Vida e riqueza a escorrer pelo ralo

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Numa ironia cruel, o antigo ?paraíso das águas? está se transmutando no ?túmulo da água?. Segundo os números do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), o desperdício de água (tratada) na capital alagoana é superior a 64%. Pelas avaliações do conceituado Instituto Trata Brasil, Maceió é a 8ª cidade brasileira em maior desperdício de água. Num estudo onde as 100 maiores cidades brasileiras são esmiuçadas em seus sistemas de água potável, Maceió é destaque negativo por jogar fora praticamente 2/3 do precioso líquido depois de devidamente tratado. Destaque-se que em uma cidade brasileira, a paulista Mauá, o desperdício é zero (!) comprovando que é plenamente possível obter-se índices de aproveitamento altamente positivos no fornecimento de água potável em centros urbanos de médio e grande portes. A comprovação da viabilidade em se alcançar percentuais próximos, ou igual, a 100% de aproveitamento torna ainda mais berrante a trágica realidade maceioense. Numa exemplificação dessa catástrofe na infraestrutura alagoana, a Gazetaweb fez uma comparação simples, demonstrando que, ?para abastecer uma caixa d?água de mil litros, a Casal joga fora nada menos que 646,5 litros do líquido?. Não há empresa que se sustente com um derramamento nessa ordem. Nesse patamar, é conversa mole falar em sustentabilidade, pois o bem primordial ? para a vida e para a economia ? literalmente está sendo escorrido pelo ralo. Ressalte-se, mais uma vez, que essa perda de 64% se refere ao produto depois de tratado, ou seja, o prejuízo é duplo, pois, além do produto in natura, se está jogando fora milhões investidos no tratamento d?água. Triste constatação num estado onde a seca ainda é tragédia presente, e o consumo de água contaminada, recentemente, provocou uma onda de mortes em várias cidades do interior alagoano. Um acinte. Antes de mais nada, trata-se de uma tremenda falta de respeito à cidadania. Pergunta-se: o que, de real, as autoridades responsáveis estão projetando para estancar tamanha sangria? Até o momento, palavras ao vento, nada de líquido e certo. Quem sabe, depois dessa enxurrada de notícias sobre mais essa vergonha alagoana, alguma medida, além de discursos aquosos, venha a ser adotada?

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